Título: Magela deixará presidência do BPB
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 08/08/2005, Finanças, p. C8

Mudança de comando É o quarto executivo ligado ao PT a sair do conglomerado do BB

O presidente do Banco Popular do Brasil (BPB) - subsidiária do Banco do Brasil para a área de microfinanças -, Geraldo Magela, deixará o cargo nos próximos dias. A saída ficou acertada em dois encontros de Magela com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na semana passada. É o quarto executivo ligado ao Partido dos Trabalhadores que deixa o conglomerado do BB em cerca de um mês. Magela diz, porém, que a decisão de sair nada tem a ver com um possível movimento de "despetização" da instituição. "Já tenho dito publicamente há muito tempo que quero ser candidato a governador do Distrito Federal", disse. Lula pediu que deixem os cargos todos aqueles que pretendem disputar as eleições em 2006. Magela sustenta que não tem fundamento a versão de que o BB está sofrendo um processo de "despetização" - até porque, diz, permanecem na diretoria colegiada três vice-presidentes ligados ao partido. Magela fica no cargo enquanto não for definido o nome do sucessor. Antes de sair, ele pretende participar do lançamento de dois novos produtos do BPB. Um deles é uma linha de financiamento de aquisição de eletrodomésticos, em que os produtos serão vendidos por meio de catálogos, que começa a operar hoje em uma experiência piloto no Paraná. O BPB finaliza ainda uma linha de microcrédito produtivo que venderá, também por meio de catálogo, máquinas e equipamentos para microempreendedores. Na semana passada, a linha de produtos do BPB já havia sido ampliada com um seguro popular. Magela deixa o BPB antes de finalizar o novo plano de negócios da instituição, que seria submetido à diretoria colegiada do BB. Nos novos produtos, porém, o banco já vinha imprimindo uma nova orientação de atuar preferencialmente com crédito para financiamento de atividades produtivas. Na gestão de Ivan Guimarães, que deixou a presidência do BPB há pouco mais de quatro meses, a ênfase era na concessão em larga escala de microcrédito a pessoas físicas. O banco também abandonou as metas ambiciosas de ampliação da clientela e pontos de negócio. A mudança de estratégia ocorreu a partir da constatação de que, ao trabalhar com metas elevadas, o banco vinha abrindo contas simplificadas que não eram movimentadas e pontos de atendimento deficitários. Neste ano, o BPB continuou a abrir pontos de atendimentos por meio de correspondentes bancários, mas decidiu fechar aqueles que não tinham um movimento mínimo. O balanço final foi uma redução de 3,5 mil para 2,8 mil no número de correspondentes. Nesse pacote, foi rescindido, por exemplo, a parceria assinada com as Casas Bahia. "Os pontos só são abertos se for aprovado por um estudo de viabilidade econômica", afirma Magela. O BPB desistiu ainda de sua meta, contida em seu plano de negócios original, de abrir um total de 2,8 milhões de contas simplificadas. O que está ocorrendo, na verdade, é um enxugamento no número de contas: estão sendo encerradas todas aquelas que não tiverem movimento durante seis meses. É um trabalho que ainda está em curso. Do 1,6 milhão de contas simplificadas, apenas 1,3 milhão são consideradas ativas.