Título: PIBB: segundo tempo
Autor: Altamiro Silva Júnior
Fonte: Valor Econômico, 18/08/2005, EU &, p. D1

BNDES marca nova oferta do fundo indexado ao IBrX-50 para 12 de setembro e amplia seguro contra perdas para até R$ 50 mil

Os investidores interessados em aplicar no mercado acionário podem se preparar. No dia 12 de setembro começa o período de reservas para a segunda oferta do Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB), fundo de ações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que reproduz o IBrX-50 - índice formado pelas 50 ações mais líquidas da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A oferta deve movimentar R$ 1 bilhão. Para o varejo, foram reservados até R$ 800 milhões. Para os investidores institucionais (como fundos de pensão), o banco destinou até R$ 400 milhões. Ontem de manhã, em uma reunião cercada de sigilo, foi apresentado na Bovespa como será a nova oferta pública do PIBB. Entre os presentes, executivos de várias corretoras, que tiveram que assinar um documento se comprometendo a não divulgar as informações apresentadas. O Valor, porém, teve acesso a alguns dados. A oferta começa dia 12 de setembro e termina em 11 de outubro. Logo em seguida, será realizado o "bookbuilding" (leilão para definir o preço de venda das cotas do fundo) e no dia 24 de outubro será feita a liquidação da operação. Em seguida, as cotas começam a ser negociadas na Bovespa. Na reunião de ontem, os executivos ressaltaram que as datas ainda podem ser alteradas. Nos próximos 10 dias, o pedido de oferta pública será enviado para análise da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Esta será a segunda oferta do PIBB, um fundo fechado que só emite cotas em ofertas públicas. As cotas são depois negociadas em bolsa, como ações. A primeira foi em julho do ano passado. A deste ano, porém, terá várias diferenças. Entre elas, maior prazo para reserva (agora um mês, frente a 15 dias em 2004) e limites mais amplos para aplicação, que passarão de R$ 300 mil para R$ 500 mil, além do tamanho da oferta, que deve ser quase o dobro dos R$ 600 milhões do ano passado. Para o investidor receoso do mercado acionário, o BNDES oferece uma opção de recompra das cotas depois de um ano. O limite máximo será de R$ 50 mil (no primeiro fundo, era de R$ 25 mil). Ou seja, até esse valor, o BNDES se compromete a comprar de volta as cotas daqui um ano pelo mesmo preço pago, mesmo que a bolsa caia. Outra novidade é que, nesta oferta, A diferença em relação ao fundo do ano passado é que, após o aniversário da aplicação, o investidor terá um prazo maior para fazer a opção, até o final de 2006. Os organizadores esperam também dobrar a participação dos investidores, passando de 25 mil CPFs para R$ 50 mil. Para incentivar a pulverização, os bancos coordenadores da operação - Itaú BBA e Santander - vão dar uma comissão extra para as corretoras quando o número de reservas superar os 25 mil do ano passado. A comissão da operação, aliás, foi um dos pontos que alegrou os corretores ontem. Será de 1,5% sobre o valor colocado, uma das maiores já oferecidas nas recentes ofertas. O interessado no PIBB poderá aplicar de duas formas. Comprando as cotas diretamente ou entrando em um dos fundos de investimento que serão criados para a oferta. As aplicações máximas e mínimas, porém, são diferentes. Na compra direta, o investimento mínimo é de R$ 1 mil e o máximo de R$ 50 mil, caso o investidor queira a opção da recompra depois de um ano. Caso não queira, a aplicação máxima sobe para R$ 500 mil. Já quem optar por investir via fundo de investimento, o mínimo será R$ 300 e o máximo de R$ 50 mil (com a opção de recompra) ou R$ 500 mil (sem a opção). Caso a demanda no varejo seja maior que a oferta, haverá rateio. Mas todas as reservas abaixo de R$ 15 mil serão atendidas. Acima deste valor, haverá divisão com base na "regra dos copos", ou seja, o que sobrar dos papéis vai sendo entregue para cada investidor até completar o limite da sua reserva, do menor para o maior, até "encher" todos os copos. A equipe de executivos que está organizando a operação prepara uma série de apresentações ("road shows") em várias cidades brasileiras para apresentar o PIBB. Estão previstas reuniões em Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Ribeirão Preto, Campinas, Rio de Janeiro e São Paulo. A idéia é fazer esses "road shows" antes de começar o período de reserva das ações. Além disso, haverá uma campanha publicitária "agressiva" na televisão, jornais e revistas. O PIBB lançado no ano passado acumula alta de 43% até o dia 16.