Título: Estudos mostram mudanças em entidades empresariais
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 29/10/2004, Política, p. A11

Os empresários no Brasil, que por anos a fio foram considerados, até por eles mesmos, como um grupo fraco, sem prestígio, passivo, acomodado, sem coesão ou unidade, mudaram a postura. Profissionalizaram suas entidades de classe e os primeiros resultados positivos desse movimento começam a ser avaliados por sociólogos e cientistas políticos. Dois trabalhos sobre esse tema circularam no 28º Encontro Nacional da Associação Nacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais (Anpocs). Um é o livro "Empresários, Interesses e Mercados - Dilemas do Desenvolvimento no Brasil". Foi escrito pela professora de economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro Eli Diniz e pelo cientista político Renato Boschi, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), e lançado nesta semana na reunião da Anpocs. O segundo é o artigo do sociólogo Wagner Pralon Mancuso, intitulado "Empresariado Industrial e Custo Brasil: o lobby da indústria por políticas públicas de competitividade". Mancuso, que já havia apresentado sua pesquisa que abrangia de 1996 a junho de 2003 na reunião da Anpocs há um ano, foi convidado para mostrar os resultados apurados até dezembro passado. Confirmou que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) - entidade citada por Diniz e Boschi como exemplo de entidade reformulada e profissionalizada - foi bem sucedida no Congresso no que se refere a projetos de lei de seu interesse. A maior parte dos projetos apresentados pelo Executivo Federal, que tradicionalmente domina a pauta do Legislativo, e que foram transformados em lei coincidem com as propostas listadas pela CNI como importantes para reduzir o custo Brasil. Ou, pelo menos, não aumentaram o custo Brasil - considerado também como sinal de empreitada bem sucedida no estudo de Mancuso. O sociólogo explicou que não temo como afirmar que o resultado positivo deriva do lobby bem feito pela CNI - ele apenas comparou os temas das Agendas Legislativas da entidade ao longo de oito anos e os resultados das votações no Congresso. Mas o coordenador de Assuntos Legislativos da CNI, Carlos Alberto Cidade, disse ao Valor que o sucesso registrado por Mancuso resulta, de fato, do trabalho sistemático da entidade. "Os empresários ainda querem uma central única, mais forte, que represente o interesse de todos os setores. Mas houve avanços e a profissionalização é um deles", observou Boschi. (CM)

Busca:

Busca avançada