Título: Bradesco supera previsão e lucra R$ 2 bilhões de janeiro a setembro
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 29/10/2004, Finanças, p. C2

O Bradesco surpreendeu, ontem, nove em dez analistas ao anunciar um lucro líquido de R$ 752 milhões no terceiro trimestre. Os analistas esperavam um resultado até R$ 100 milhões inferior. Somente a Austin Rating acertou. As ações preferenciais do banco chegaram a subir 3,5% e fecharam com alta de 1,97% a R$ 175,40 na contramão do índice Bovespa, que caiu 1%. No acumulado em nove meses, o Bradesco lucrou R$ 2,002 bilhões, 25,83% a mais do que os R$ 1,591 bilhão de igual período de 2003. A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio foi de 18,59%. Segundo a consultoria Economática, foi o maior resultado obtido pelo Bradesco no terceiro trimestre em 16 anos; e o segundo maior em nove meses também em 16 anos. A área de pesquisas do Unibanco observou que o Bradesco melhorou o controle de custos e a receita de seguros e previdência. Já a Merrill Lynch, além do fator custo, ressaltou o aumento das receitas financeiras e de serviços e a redução das despesas com provisões para crédito. O presidente do banco, Márcio Cypriano, atribuiu o resultado a uma combinação de todos esses fatores. A margem financeira, informou, aumentou R$ 580 milhões, de R$ 9,135 bilhões para R$ 9,715 bilhões entre os primeiros nove meses de 2003 e igual período deste ano. Segundo Cypriano, o aumento da Selic em setembro teve "impacto marginal". Efeito maior teve a redução de 22,27% das despesas com provisões para crédito de janeiro a setembro, de R$ 1,998 bilhão em 2003 para R$ 1,553 bilhão neste ano. O banqueiro explicou que o aumento do emprego foi um dos fatores que reduziu a inadimplência de 5,5% para 4,2% - medida pelos créditos classificados entre D e H, na escala de nove degraus do Banco Central, com parcelas vencidas ou a vencer -, permitindo a redução das despesas com provisões. O saldo das provisões, porém, ficou praticamente estável, em R$ 4,181 bilhões, assim como as provisões excedentes, na faixa de R$ 900 milhões. Foto: Marisa Cauduro/Valor

"Papai Noel será gordo", disse o presidente do banco, Márcio Cypriano

O Bradesco ativou R$ 93 milhões em créditos tributários no terceiro trimestre e R$ 89 milhões no segundo, que compensaram em boa parte a amortização extraordinária de ágio de R$ 102 milhões e R$ 135 milhões, respectivamente No campo das despesas, o Bradesco negou a intenção de demitir 6 mil funcionários, número que circulou entre analistas. Segundo a área de pesquisa do Unibanco, o número de funcionários do banco era de 74,2 mil em setembro e, nas contas da Merrill Lynch, houve um corte de 557, inferior aos 1,5 mil que estimava. Mas, o banco vem avançando em outras áreas. As despesas de pessoal cresceram apenas 5% e as administrativas, 4,7% na comparação entre os nove meses de 2003 e os nove de 2004. Apesar disso, o índice de eficiência do banco, que mede a relação entre despesas e receitas piorou, passando de 55,9% em setembro de 2003 para 58,3% em setembro passado. Cypriano notou, porém, que foi de 54,4% no terceiro trimestre e que o banco economizou em tecnologia e marketing com a integração de instituições adquiridas. A última operação do tipo foi a integração do BEM, concluída semana passada. A área de seguros teve um lucro líquido em nove meses de R$ 201 milhões (R$ 211 milhões de 2003) e contribuiu com 29% do resultado do banco.