Título: Dantas acusa Citi de acordo com Telemar e governo
Autor: Tatiana Bautzer
Fonte: Valor Econômico, 05/09/2005, Brasil, p. A2

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O empresário Daniel Dantas está acusando o Citibank na Justiça de Nova York de ter um "acordo secreto" com os fundos de pensão, com aprovação do governo brasileiro, para que a Telemar seja autorizada a comprar a Brasil Telecom. Dantas já havia tentado estabelecer essa relação antes no processo judicial que sofre em Nova York, usando reportagens com declarações da Telecom Itália. O argumento não foi aceito pelo juiz Lewis Kaplan. Mas é a primeira vez que Dantas assume a acusação. O texto do recurso apresentado na sexta-feira pelos advogados do Opportunity acusa diretamente um executivo do Citigroup. "Mike Carpenter, do Citibank, afirmou a Daniel Dantas que o negócio com os fundos de pensão era apoiado por um funcionário de alto escalão do governo", diz o recurso de Dantas, que visa conseguir indenização do banco americano. Representantes do Citigroup não foram localizados ontem para comentar as acusações. Dantas também anexou ao processo e-mails nos quais relata conversas com o ex-ministro José Dirceu e com o ex-presidente do Banco do Brasil (BB), Cássio Casseb, sobre os direitos de voto dos fundos de pensão nas empresas telefônicas. Num dos e-mails, datado de maio de 2003, Dantas informa a ex-executiva do Citi, Mary Lynn Putney, de uma reunião com o ex-ministro. Dirceu teria comunicado que os fundos queriam retirar o Opportunity da gestão de suas participações e retomar o direito de voto, proibido pelos acordos fechados na época da privatização. Num outro e-mail, Dantas relata uma suposta conversa com o ex-presidente do BB, Cássio Casseb, na qual Casseb diz que o governo quer retomar o direito de voto dos fundos. Em 2004 os fundos de pensão colocaram o BB como gestor de suas participações acionárias. O texto afirma que a operação de "put" feita entre o Citi e os fundos tem como contrapartida "a venda das ações dos fundos de pensão e do Citibank na Brasil Telecom para a Telemar". O empresário usa como argumento contra o acordo a suspensão determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Os advogados de Dantas acusam ainda o Citi de "vazar informações da investigação da Kroll - paga pela Brasil Telecom sobre alguns integrantes do governo Lula e seu relacionamento com fundos de pensão - para influenciar a Telecom Itália".