Título: Serra defende afastamento do presidente da Câmara
Autor: Jaqueline Paiva e Caio Junqueira
Fonte: Valor Econômico, 13/09/2005, Política, p. A5

Existem provas mais do que suficientes para o afastamento do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), segundo o presidente licenciado do PSDB e prefeito de São Paulo, José Serra. A saída de Severino também ajudaria a preservar uma imagem positiva dos parlamentares junto à população, avalia o tucano. "Há elementos suficientes para isso (afastamento). A permanência dele tende a corroer ainda mais o conceito de classe política junto à população, que já está muito baixo", afirmou Serra. "Seria melhor para a democracia e para o Parlamento no país se ele se afastasse logo." Como um dos poucos tucanos a não defender a candidatura de Severino na disputa pela presidência da Câmara, no começo do ano, Serra negou que seu partido tenha de fazer mea-culpa pela eleição do pepista. "No primeiro turno o PSDB não ajudou, apoiou Greenhalgh. Depois o próprio governo apoiou Severino. Independentemente do que aconteceu no passado, apareceram fatos comprometedores e diante deles todos redefinem suas posições." Ao lado de Serra em almoço com empresários na sede da ADVB, em São Paulo, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), foi mais contido em suas posições sobre o presidente da Câmara. "Como é que se tira alguém do posto se ainda não tem prova consistente? Se tiver, ele tem que ser punido", ponderou. Mas fez a ressalva que, se estivesse no lugar de Severino, pediria licença de seu cargo até que a apuração fosse concluída. Radical no ataque ao pepista, a também tucana Zulaiê Cobra, deputada federal (SP), não poupou críticas e disse que seu partido vai entregar uma representação contra Severino nesta semana. "Ele tem que deixar o cargo. Quando foi questionado pela imprensa mostrou muita insegurança e desconhecimento. Não está preparado para o cargo". Para a deputada, o novo alvo das acusações será Luiz Gushiken, ex-secretário de comunicação, que deverá depor nesta semana. Já as farpas mais afiadas do governador de Goiás foram para os "políticos populistas", que "têm personalidade atrasada", sem fazer qualquer referência direta a um governo ou governante. Evitando abordar os escândalos de corrupção que envolvem o governo, Marconi Perillo resumiu seus comentários ao dizer que não viu iniciativas do presidente em apurar a veracidade de suas denúncias sobre o mensalão.