Título: Fundo para investir em energia já tem R$ 800 mi
Autor: Catherine Vieira
Fonte: Valor Econômico, 01/11/2004, Finanças, p. C-1
O fundo de private equity que vai investir em projetos do setor de energia já tem R$ 800 milhões de cotistas interessados. A informação é do presidente da Petros, Wagner Pinheiro, que junto com a Previ e a Funcef, lançou o fundo, em julho deste ano. A Petros elevou sua participação inicialmente prevista para 20% do capital total do fundo para 25% e vai aportar de acordo com o total captado. Inicialmente, a previsão dos fundos era a de que a captação do fundo fosse de R$ 600 milhões. "Estamos em R$ 800 milhões e podemos chegar a R$ 1,2 bilhão, que é o limite máximo", disse Pinheiro. De acordo com o valor previsto até agora, o valor do aporte da Petros seria de R$ 200 milhões. O fundo tem gestão do Banco Pactual, que entrará também com R$ 30 milhões em aportes e terá como cotistas outros fundos de pensão como Funcef, Valia, Fapes e Real Grandeza. Além dos fundos, a BNDESPar também fará aportes e o Banco do Brasil estaria estudando uma possível participação. O objetivo é investir em projetos de energia com foco no programa de incentivos a fontes alternativas (Proinfa) e linhas de transmissão. Além do fundo de energia, os fundos de pensão farão investimentos ainda no grande fundo de participações no setor de infra-estrutura, lançado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), também em julho deste ano, e que terá R$ 1,8 bilhão. Durante o 25º Congresso Brasileiro dos Fundos de Pensão, o ABN AMRO, gestor selecionado pelo BID, apresentou o produto num almoço fechado para representantes das 20 principais fundações com patrocinadoras estatais e privadas. A Petros e a Funcef reafirmaram seu interesse pelo fundo. O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, disse que a proposta de investimento no fundo está em processo de análise e aprovação pelos comitês de investimentos e os conselhos da entidade. "A decisão de investimento em private equity, que são projetos de longo prazo, é demorada e criteriosa, mas nosso interesse existe", assegurou Lacerda. Na Petros, o processo decisório é o mesmo, mas a intenção de Pinheiro é poder chegar pelo menos perto do percentual máximo de aplicação permitido pelas normas do setor (25%). Outro projeto que une as fundações para investimentos que envolvem infra-estrutura é o da Companhia Locadora de Equipamentos Petrolíferos (Clep). A Clep é uma sociedade de propósito específico (SPE) montada em conjunto pelos fundos para comprar equipamentos de produção e exploração de petróleo marítimo, que serão locados para a Petrobras. O investimento de R$ 180 milhões foi dividido entre Petros, Funcef, Previ, Real Grandeza e Fapes, em iguais fatias. A remuneração, conforme o projeto formatado, será semestral e fixada por um período de dez anos, numa composição dos valores de locação com uma amortização do principal investido. "É um projeto excelente, com boa rentabilidade e baixo risco, queríamos dez assim", elogiou Lacerda, da Funcef.