Título: UE deve pedir mudanças no Sisbov
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 15/09/2005, Agronegócios, p. B13

Sanidade Expectativa é de que europeus restrinjam importações de algumas regiões do país

O governo brasileiro espera com certo temor o relatório da missão européia - a ser conhecido hoje em reunião em Brasília - que inspecionou fazendas, frigoríficos, empresas de distribuição, certificadoras, portos e postos de fronteiras em sete Estados que exportam carne bovina para o bloco. Segundo Gabriel Alves Maciel, secretário de defesa agropecuária do Ministério da Agricultura, os europeus devem pedir mudanças nos sistemas de rastreabilidade de bovinos, na inspeção sanitária e no controle do trânsito de animais das regiões livres de febre aftosa com vacinação para áreas não livres. O secretário disse que a missão não anunciará o descredenciamento de frigoríficos na reunião de hoje, mas a expectativa é que futuramente o bloco imponha restrições a algumas regiões exportadoras de carne bovina e restrinja as compras de carne de frango do Mato Grosso do Sul, devido ao surgimento de um foco de um vírus não-patogênico da doença de Newcastle em uma granja de Jaraguari (MS), em junho passado. "A demora de 15 dias do governo estadual para notificar os órgãos sobre a doença foi mal vista pelos europeus, e eles vão criar alguma restrição para o Mato Grosso do Sul", disse Maciel. Ele reconheceu que o sistema brasileiro de sanidade tem problemas, mas considerou que a resposta da UE pode ser mais rígida, em resposta à ratificação da vitória do Brasil na OMC na disputa do frango salgado. "A mudança do status do Brasil na classificação de risco para a 'vaca louca' já foi uma resposta à decisão da OMC", disse. Fontes do setor de carne bovina disseram que frigoríficos hoje habilitados para exportar à UE podem perder a permissão. De acordo com o secretário, os europeus questionam a segurança do Sistema de Certificação de Origem Bovina (Sisbov) e dos prazos de 40 dias de quarentena nos frigoríficos após o abate e de 90 dias no caso de trânsito de animais de um Estado para outro. A missão, segundo ele, também questionou a eficiência do controle de entrada e saída de animais de áreas livres de febre aftosa com vacinação das áreas não-livres e a falta de estudo sobre a mutação genética do vírus da aftosa e se havia estudo sobre os casos da doença na fauna silvestre. "Os europeus querem que o Brasil defina um plano de rastreabilidade para aplicação agora, o que vai nos dar trabalho", afirmou. Ele observou que o governo não tem plano para a erradicação da febre aftosa no Norte e Nordeste do país, e o setor pode se dar por satisfeito se não houver nenhum novo foco nessas regiões em 2006.