Título: Corte de vagas foi motor nos anos 90
Autor: Denise Neumann e Raquel Salgado
Fonte: Valor Econômico, 22/09/2005, Brasil, p. A3
Nas contas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), o Brasil acumulou ganho de produtividade de 32% na indústria entre 1990 e 2003, em uma conta que é mais complexa do que a simples ponderação entre produção física e horas trabalhadas na indústria e considera o valor adicionado no setor (excluindo efeitos como a terceirização de mão-de-obra). Em todo esse período, a redução do emprego foi o principal motor da produtividade. Esse crescimento foi mais intenso nos primeiros anos da década de 90, com a abertura econômica. Segundo o Iedi, nessa fase os setores intensivos em capital e àqueles ligados às indústrias metalúrgicas registraram os maiores ganhos. A produtividade do setor de aparelhos eletrônicos e material elétrico cresceu 153% entre 1990 e 1994. Na sequência, de 1994 a 1998, há recuperação da indústria ligada ao agronegócio: a indústria do açúcar e a de laticínios aumentaram sua eficiência em mais de 40%. Para André Nassif, do BNDES, o principal fator de aumento da produtividade foi a retração do emprego. Só que as razões para isso nos dois períodos foram distintas, diz ele. De 1990 a 1994, o emprego caiu devido aos impactos imediatos da liberalização comercial (tanto na fase inicial de abertura como no início do Plano Real, com a intensificação da queda de tarifas de importação). Na segunda metade da década de 90, foi a forte valorização do real frente ao dólar que afetou o emprego, diz Nassif. "A valorização do real aumentou a produtividade porque pressionou muito as empresas brasileiras que competem com importações e barateou a importação de equipamentos", pondera o economista do BNDES. As incertezas da economia no período 1999-2003 contribuíram para a tendência de declínio da produtividade. Segundo o Iedi, o indicador acumulou queda de 3,1% entre 1998 e 2003. E voltou a crescer em 2004 e 2005. (DN e RS)