Título: BC reduziu em US$ 28 bi a oferta de proteção cambial neste ano
Autor: Alex Ribeiro
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2004, Finanças, p. C-2
Com a decisão de não renovar os US$ 656 milhões em papéis cambiais que vencem na semana que vem, o Banco Central já reduziu neste ano em US$ 28,04 bilhões a oferta de proteção cambial para as empresas privadas. A queda tem sido mais rápida e pronunciada do que o esperado - a taxa de rolagem é de apenas 4,36% no ano -, mas nem por isso foi sentida pelo mercado. O que vem sendo observado é a redução da demanda por proteção contra a variação do dólar. Um técnico do BC que trabalha na área explica que a instituição vem mantendo sua política de sempre consultar o mercado financeiro antes de decidir pela renovação ou não dos papéis. A última vez que o BC renovou parte dos papéis cambiais foi em agosto passado. De lá para cá, o que está havendo, explicou, é um baixo interesse nesse tipo de instrumento. Como as empresas privadas estão evitando novas captações no mercado internacional - com exceção daquelas que têm receitas em dólar -, não há procura por proteção. Em setembro, por exemplo, foram renovados apenas 24% dos papéis que tiverem vencimento no mês. A reduzida volatilidade no mercado de câmbio, assim como a expectativa de que não haverá forte desvalorização do dólar pela frente, também tem sido decisiva na queda da dívida cambial. O consenso do mercado é que o dólar encerre 2004 em R$ 2,95 e que suba para R$ 3,10 no fechamento do ano que vem, segundo pesquisa semanal de expectativas feita pelo BC. A oscilação equivale a uma desvalorização de apenas 5,08% em 2005, percentual abaixo da expectativa inflacionária para o período. Também vem pesando na ausência de demanda por hedge, afirma a fonte do BC, o baixo cupom cambial, que desestimula operações de arbitragem e eleva o custo das operações de quem quer se proteger contra a variação da cotação do dólar. Pelo dado mais recente, de setembro, a não-renovação de papéis cambiais permitiu que a exposição da dívida pública ao dólar chegasse a 11,24%, pouco mais da metade dos 22,28% verificados em dezembro passado. Parte dos papéis não rolados pelo BC são títulos públicos - e teoricamente seu resgate poderia provocar aumento da liquidez na economia. Na prática, porém, o que está havendo é a substituição de instrumentos cambiais por títulos prefixados ou pós-fixados pela Selic ou índices de inflação. A média das operações compromissadas do BC com prazo de até três meses - uma das medidas de excesso de liquidez - caiu de R$ 82,394 bilhões para R$ 80,976 bilhões, entre agosto e outubro (até o dia 22). Confirmando a tendência apontada pelos números parciais de outubro, o movimento de câmbio contratado fechou em US$ 672 milhões em outubro - primeiro valor positivo desde maio, quando a volatilidade no mercado internacional reduziu o fluxo de moeda estrangeira ao país. O saldo do comércio exterior seguiu com superávit expressivo (US$ 2,850 bilhões), suficiente para cobrir as saídas no segmento financeiro (US$ 1,925 bilhões), no qual são fechadas operações de amortização de dívidas e pagamentos de juros e dividendos, entre outras. As saídas pelas contas CC-5 retornaram a um padrão mais normal, com remessas líquidas de US$ 253 milhões, bem abaixo dos valores registrados em agosto (US$ 2,110 bilhões) e em setembro (US$ 813 milhões).