Título: Apesar do ritmo mais lento, oferta de trabalho com carteira assinada aumenta
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/09/2005, Brasil, p. A3

Embora em ritmo mais lento do que no ano passado, a geração de empregos com carteira assinada continua a crescer. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego, medida pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas (Dieese) e Fundação Seade, ficou menor em agosto e, pela primeira vez desde abril, a geração de vagas com carteira de trabalho assinada ficou positiva em 2,5%, o que significa mais 85 mil postos de trabalho formais. Os empregos sem carteira, por outro lado, perderam espaço pelo terceiro mês consecutivo, com queda de 1,2% e fechamento de 13 mil vagas de qualidade precária. Os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho, também revelam números positivos. Impulsionado pelos setores de serviço e comércio, o mercado formal de trabalho no país registrou, em agosto, a criação de 135.460 postos. O resultado foi melhor do que as 117.473 vagas registradas em julho, mas ficou abaixo dos 229.757 empregos criados em agosto do ano passado. "O mercado continua crescendo, mas numa velocidade inferior à de 2004", reconheceu o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Um dos motivos para a desaceleração nas contratações com carteira assinada em relação ao resultado de igual período do ano passado foi o fraco desempenho da indústria. No mês passado, o segmento empregou 18.173 novos trabalhadores, ante 72.168 em agosto de 2004. Em contrapartida, o ramo de serviços foi responsável pela abertura de 70.818 postos, e o comércio por outros 43.353. De um total de 1.219.236 empregos criados neste ano, os dois setores foram responsáveis por 659 mil. Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego cedeu de 17,5% para 17,1% em agosto. Com esse movimento, 44 mil pessoas deixaram de integrar o contingente de desempregados, estimado em 1,721 milhão. A indústria criou 4 mil postos de trabalho, mas o setor de serviços fechou os mesmos 4 mil. Os chamados outros setores - que incluem construção civil e serviços domésticos - criaram 11 mil empregos. No comércio foram abertas 12 mil vagas em agosto. Outra boa notícia foi o aumento da renda média do trabalhador paulistano pelo segundo mês consecutivo. Em julho, o rendimento real das pessoas ocupadas - assalariados e autônomos - subiu 1,7% sobre junho, passando de R$ 1.038 para R$ 1.057. Com isso, a massa de rendimentos (produto da nível de ocupação e da renda) cresceu 2,3% nesse período. Os dados de renda têm um mês de defasagem em relação aos do emprego, porque os pesquisadores perguntam aos entrevistados quanto receberam no mês anterior. (Com agências noticiosas)