Título: Já há condições para a TJLP cair, diz Mantega
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 22/09/2005, Brasil, p. A5
Investimentos Presidente do BNDES afirma que é possível uma queda de 1,5 ponto percentual até o fim do ano
As recentes e sucessivas quedas da inflação e do risco Brasil criaram condições propícias à redução da Taxa de Juro de Longo Prazo (TJLP), na próxima reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), semana que vem. A avaliação é do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega, destacando que o cálculo da TJLP, que corrige os financiamentos do banco de fomento, é balizado por esses dois indicadores. A TJLP em vigor está fixada em 9,75% ao ano desde abril de 2004. Mantega evitou fazer projeções para a nova taxa, mas não descarta a possibilidade dela cair até o fim do ano na mesma proporção do declínio da taxa Selic, em torno de 1,5 ponto percentual, conforme projeções do mercado. "Se a Selic fechar o ano em 18%, como prevê o mercado, reduzindo 1,5 ponto percentual até dezembro, é natural que se pense numa redução semelhante para a TJLP", afirmou. Do seu ponto de vista, não tem sentido baratear a demanda e encarecer o investimento, pois isso geraria um desequilíbrio entre oferta e procura prejudicial ao bom funcionamento da economia. Presidentes das federações das indústrias de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, que almoçaram ontem com Mantega, para discutir medidas para o país voltar a crescer acima de 4% ao ano, defenderam uma TJLP em níveis entre 7% a 8% para aumentar o investimento no país. Segundo eles, o alto custo do dinheiro no BNDES tem reduzido a demanda por empréstimos no banco. Paulo Skaf, da federação paulista, argumentou que uma TJLP de 9,75% mais spreads bancário e outros custos soma um custo financeiro total entre 15% a 18%, muito alto para se tocar investimento. Robson Braga de Andrade, da federação mineira, Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, da federação fluminense, e Gilberto Fernandes Tigre, da federação gaúcha, concordaram com esse raciocínio. Além da redução do custo do dinheiro, os empresários propuseram ao BNDES a formação de um fundo de aval para as micros e pequenas empresas terem acesso ao crédito. Mantega adiantou que o banco está costurando a criação desse fundo, juntamente com outras entidades, como o Sebrae. O fundo deverá somar recursos da ordem de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões e deverá estar formatado nos próximos 30 dias.