Título: Incorporação da Labbat faz AmBev lucrar 61% menos
Autor: Daniela D'Ambrosio
Fonte: Valor Econômico, 04/11/2004, Empresas, p. B-3
A AmBev anunciou ontem seu primeiro balanço consolidando os resultados da Labatt - cervejaria canadense incorporada pela AmBev na aliança com a belga InBev, ex-Interbrew. Os dados do terceiro trimestre de AmBev incluem 34 dias de resultado da Labatt, que contribuiu, nesse período, com um lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) de R$ 159 milhões - o equivalente a 14% do total. A contribuição da Labatt, somada aos R$ 976,7 milhões obtidos pela AmBev no terceiro trimestre nas operações do Brasil e América Latina, somaram um lajida consolidado de R$ 1,13 bilhão, 43% acima do terceiro trimestre de 2003. "Com base nos números separados de Labatt e AmBev de 2003, a Labbat teria representado 29% do lajida consolidado da companhia", afirma Pedro Aidar, gerente de relações com investidores. Apesar de contribuir positivamente para a operação da empresa, a incorporação da cervejaria canadense prejudicou seu desempenho financeiro, impactando o lucro líquido. De julho a setembro deste ano, a AmBev teve um lucro líquido de R$ 132 milhões, 61,3% abaixo dos R$ 340,4 registrados no mesmo período do ano passado. Essa queda pode ser explicada pelo ágio referente aos investimentos da AmBev na Labatt. O ágio é a diferença entre o valor pago na transação pela Labatt e o valor contábil do patrimônio da cervejaria canadense em seu balanço. Além desse ágio, uma perda de R$ 96,4 milhões referente ao efeito líquido do programa de recompra de ações da Quinsa - já que as ações são negociadas acima de seu valor contábil - também contribui para a redução do lucro líquido. "Trata-se de despesas não recorrentes que não afetam a capacidade de geração de fluxo de caixa futuro", afirma Tânia Sztamfater, analista do Unibanco. O volume de vendas de cerveja cresceu 17,1% em relação ao terceiro trimestre do ano passado e atingiu R$ 1,6 bilhão. A receita por hectolitro, que mede a rentabilidade da companhia, chegou a R$ 120,30 - meta prevista para ser alcançada no quarto trimestre. Em setembro, a AmBev atingiu 67% de participação de mercado, outro objetivo que a companhia pretendia alcançar no segundo semestre. Segundo a companhia, o aumento das vendas é conseqüência da recuperação da participação de mercado e o reaquecimento do mercado brasileiro de cervejas, que cresceu 4,6% no terceiro trimestre deste ano de acordo com dados da ACNielsen. A receita do segmento de refrigerantes cresceu 14,1% no período. Na opinião de Márcio Kawasaki, analista do banco Fator, no quarto trimestre, a empresa deve apresentar "excelente" resultado. "Considerando-se o resultado operacional deste ano, a recuperação do mercado de cervejas e o fato de que no quarto trimestre do ano passado, a empresa teve queda de participação por conta de Nova Schin, o resultado deve vir muito bom."