Título: Para Ibope, 81% conhecem denúncias
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 22/09/2005, Política, p. A8
Crise Dos que conhecem, 49% reprovam recandidatura de Lula, que perde mais popularidade
Pela primeira vez na série de pesquisas encomendada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o Ibope identificou que o percentual de pessoas que classificam o governo Luiz Inácio Lula da Silva como "ruim" ou "péssimo" superou o daquelas que consideram a administração atual como "ótima" ou "boa". Além da aprovação do governo, a confiança no presidente teve uma queda ainda mais radical entre junho e setembro tendo despencado de 56% para 44%. Aqueles que não confiam em Lula cresceram de 38% para 51% no mesmo período entre junho e setembro de 2005. Apesar da queda na aprovação e na confiança, os entrevistados ainda acham que o governo Lula é melhor que o do seu antecessor. Essa percepção está em queda, mas ainda é francamente favorável a Lula (ver quadro ao lado). A pesquisa indica que a queda na aprovação e na confiança está relacionada ao maior grau de conhecimento das denúncias que envolvem o relacionamento do governo Lula e seus aliados. Se apenas 58% das pessoas tinham conhecimento da crise política em junho, em setembro o índice pulou para 81%. Desse universo, 46% consideram as denúncias totalmente verdadeiras e 32% as classificam como "mais verdadeiras que falsas". Apenas 3% dos entrevistados declararam achar totalmente falsas as histórias reveladas até agora. Entre os que tomaram conhecimento da crise, 49% acham que Lula não deve se recandidatar. A maior desconfiança em reação ao presidente e o desconforto com a gestão atual influem diretamente nas perspectivas para a corrida ao Palácio do Planalto em 2006. O levantamento investigou basicamente dois cenários. No primeiro, Lula disputa a Presidência com José Serra (PSDB), Anthony Garotinho (PMDB), Cesar Maia (PFL) e Heloísa Helena (PSol-AL). Pela primeira vez, o presidente aparece em empate técnico com o prefeito de São Paulo. Lula tem 33% das intenções de voto contra 30% do tucano. O prefeito tucano subiu apenas um ponto percentual de junho para setembro. O presidente é que caiu cinco pontos. O Ibope avaliou outro cenário, com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), como candidato e mantidos os demais adversários. A vantagem de Lula contra o governador seria mais folgada se comparada ao cenário com Serra candidato. Dentre os presidenciáveis, a única a manter uma evolução constante é a senadora Heloísa Helena (PSol-AL). No cenário com Serra, ela tinha 2% das intenções de voto em novembro de 2004 e hoje atingiu a marca de 5%. Com Alckmin, ela variou de 3% para 6% no mesmo período. Todos os demais candidatos se mantém estáveis. Heloísa Helena chega a atingir 13% entre os eleitores de renda superior a dez salários mínimos e 12% dos universitários. Ela tem 9% nas capitais. Mostra a pesquisa que se a eleição de 2002 fosse refeita, o presidente Lula manteria apenas 50% dos sufrágios conquistados em 2003. Serra manteria 65%. A pesquisa levou em consideração o segundo turno das eleições, quando ambos os candidatos atraíram eleitores de outros partidos. As expectativas da população em relação à economia melhoram um pouco se comparadas às análises políticas. Se, em junho, 51% dos entrevistados previam aumento da inflação, o levantamento divulgado ontem mostra 45% pensando dessa forma. Para 35% das pessoas a inflação vai se manter estável, alta de cinco pontos percentuais em relação ao último levantamento. Manteve-se estável o índice das pessoas que consideram que a inflação vai cair: 13%. O Ibope entrevistou 2002 eleitores em 143 municípios. O levantamento foi feito entre 8 e 12 de setembro e a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais.