Título: GE devolve cinco turbinas à Varig
Autor: Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 22/09/2005, Empresas &, p. B2
Aviação Justiça considerou retenção ilícita porque a companhia já estava em recuperação judicial
A Varig obteve uma vitória contra a General Electric (GE) na terça-feira à noite, quando a juíza Márcia Cunha, do Tribunal de Justiça do Rio, obrigou a GE Rio Revisão de Motores Aeronáuticos a devolver cinco turbinas que estavam em conserto quando a Varig entrou em recuperação judicial. A decisão foi da juíza Márcia Cunha, que participa do grupo de magistrados que auxilia o juiz Alexander dos Santos Macedo, titular da 8ª Vara Empresarial do Rio, que conduz o processo de recuperação da Varig. A Justiça considerou que a retenção das turbinas era "retenção ilícita". O presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, informou que as turbinas foram devolvidas pela GE na própria terça-feira e que ontem um avião DC-10 já estava voando com ela. "Os outros estão prontos para decolar", frisou Cunha. Das cinco turbinas, três são de aviões DC-10, uma de MD-11 e outra para 737. Entre os motivos expostos na sua sentença, a juíza Márcia Cunha afirmou que as cláusulas que previam o pagamento pelo conserto das turbinas estavam suspensas a partir do momento em que a empresa entrou em recuperação judicial. Além do que, a retenção desses equipamentos impedia os aviões da Varig de voar, e mesmo sua devolução já que os fabricantes não aceitaram as aeronaves sem as turbinas. A Varig também tem vários questionamentos contra empresas do grupo GE na Justiça brasileira. A companhia aérea prepara uma ação contra a GE Capital Aviation Services, braço financeiro do grupo, devido ao bloqueio de US$ 15 milhões em recebíveis de vendas de passagens na Europa. Ontem a companhia deu sinais de que está disposta a concorrer no mercado aéreo de baixo custo - mesmo segmento explorado pela Gol e WebJet. Para concorrer com as demais empresas, a companhia lançou uma tarifa promocional de R$ 149 para alguns vôos que ligam o Rio e São Paulo a Brasília. Com esse preço, a Varig passa a cobrar a mesma tarifa promocional da Webjet, que estreou na aviação comercial em julho seguindo o conceito de operação com custos e tarifas baixas inaugurado pela Gol no país. Na semana passada, o presidente do conselho de administração da Varig, David Zylbersztajn, disse que a Nova Varig poderia se tornar uma empresa de baixo custo. Segundo ele, a mudança ocorrerá de acordo com o novo controlador. Segundo estudo elaborado pela Lufthansa, a Varig precisa reduzir custos em US$ 168 milhões. (Com Folhapress, de São Paulo)