Título: Superávit em conta pode atingir US$ 12,5 bi
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 28/09/2005, Finanças, p. C1
O comportamento da conta de transações correntes do país com o exterior até agosto, superavitária em US$ 8,7 bilhões, obrigou o Banco Central a aumentar a projeção de superávit neste ano. O saldo positivo esperado, até então de US$ 4 bilhões, mais que dobrou, passando a US$ 9,4 bilhões. Ainda assim, permanece conservador diante das expectativas do mercado, que projeta superávit de US$ 12,5 bilhões, segundo pesquisa do próprio BC . Em agosto, o resultado líquido das transações de comércio, serviços, transferências de renda e unilaterais de recursos entre o Brasil e o exterior, que formam a chamada conta corrente do país, foi positivo em US$ 822 milhões, inferior ao de igual mês de 2004 (US$ 1,75 bilhão). No acumulado do ano até agosto, porém, que foi de US$ 7,97 bilhões em 2004, o superávit está maior em 2005, segundo números divulgados ontem pelo Departamento Econômico do Banco Central (Depec). O item que mais pesou na revisão das previsões foi o saldo da balança comercial, agora projetado em US$ 38 bilhões. A estimativa do volume de exportações saiu de US$ 108 bilhões para US$ 114 bilhões. A de importações caiu de US$ 78 bilhões para US$ 76 bilhões. No sentido contrário, também foi expressiva a revisão do item viagens internacionais, cujo déficit esperado subiu de US$ 800 milhões para US$ 1,2 bilhão. Com o dólar barato, de janeiro a agosto de 2005, os gastos dos brasileiros com viagens ao exterior somaram US$ 3,03 bilhões - crescimento de 73,54% sobre igual período de 2004. O volume de dólares deixados por estrangeiros no Brasil também subiu, de US$ 2,1 bilhão para US$ 2,42 bilhões, mas não o suficiente para evitar aumento do déficit, de US$ 355 milhões para US$ 511 milhões, na comparação dos primeiros oito meses de cada ano. As remessas de lucro e dividendos ao exterior, que compõem as transferências de renda, também subiram mais de 70% na mesma comparação, saindo de US$ 4,57 bilhões para US$ 7,88 bilhões. Em função disso, o BC reviu o volume projetado para todo o ano de 2005, de US$ 9 bilhões para US$ 10 bilhões. Altamir Lopes, chefe do Depec, explicou que isso se deve aos bons resultados de balanço das empresas multinacionais e ao baixo preço do dólar, que favorece as remessas nesse momento. O BC anunciou ainda revisão de itens da conta financeira do balanço de pagamentos externos do país. Os investimentos estrangeiros em ações de empresas brasileiras, que foram de US$ 4,2 bilhões até agosto, devem chegar a US$ 5 bilhões - e não mais a US$ 4 bilhões em 2005. Já a previsão de ingresso líquido de investimento estrangeiro direto (IED) foi mantida em US$ 16 bilhões. Em agosto, eles somaram US$ 1,14 bilhão. No acumulado de oito meses, chegam a US$ 11,74 bilhões, praticamente o mesmo volume de igual período de 2004. Em setembro, até dia 21, o fluxo líquido de IED estava em apenas US$ 100 milhões. (MI)