Título: Dívida de curto prazo cai para US$ 16,7 5 bi
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 28/09/2005, Finanças, p. C1

Contas Externas Obrigações do país, quase que apenas do setor privado, recuaram ao menor nível em 15 anos

A dívida externa brasileira de curto prazo - referente a compromissos assumidos para pagamento em no máximo um ano após a contratação - atingiu, em junho de 2005, o menor nível dos últimos quinze anos e meio em valores nominais. Composta quase que exclusivamente por obrigações do setor privado, essa parcela do saldo devedor do país junto a credores externos caiu cerca de US$ 3,7 bilhões (18,11%) no segundo trimestre, fechando o período em US$ 16,75 bilhões, segundo números divulgados ontem pelo Departamento Econômico do Banco Central (Depec). O último saldo inferior a este, na série histórica trimestral apurada pelo BC, é o do final de dezembro de 1989 (US$ 16,22 bilhões), informa Altamir Lopes, chefe do Depec. Na sua avaliação, não foi por falta de oferta de crédito que as captações de novos empréstimos e financiamentos ficaram abaixo do necessário para rolar tudo o que venceu no segundo trimestre. O que houve, diz, foi uma atitude deliberada das empresas de aproveitar o momento para amortizar liquidamente suas obrigações externas. Ele vê dois motivos. "As empresas no Brasil estão preferindo não rolar integralmente sua dívida externa porque estão capitalizadas. Além disso, o câmbio está favorável", lembra o chefe do Depec, referindo-se ao fato de que se reduziu o volume de reais necessários para comprar o mesmo volume de moeda estrangeira. Esse comportamento das empresas não se verificou apenas em relação à dívida de curto prazo. A dívida privada de médio e longo prazos (contratada para pagamento por prazo superior a um ano) também caiu de março a junho deste ano, embora a queda tenha sido mais suave. O saldo devedor, nesse caso, saiu de US$ 66,56 bilhões para US$ 64,57 bilhões, segundo o BC, o que representou redução de 9,7%. Com isso, a soma das dívidas privada e pública do Brasil de médio e longo prazo, perante credores externos, atingiu o seu menor nível dos últimos sete anos e meio, fechando junho de 2005 em US$ 174,55 bilhões. Na série trimestral apurada pelo BC, o último saldo inferior a este foi o dezembro de 1997, informa Altamir. Em relação ao que era no final de março deste ano (US$ 181,46 bilhões), a dívida externa brasileira de médio e longo prazos caiu US$ 6,91 bilhões aproximadamente. O setor público ajudou até mais do que o setor privado nessa redução. Principalmente por causa das amortizações junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), a parcela de responsabilidade do setor público caiu de US$ 114,9 bilhões para US$ 109,97 bilhões. Somando obrigações de todos os prazos, a dívida externa total do Brasil, pública e privada, passou de US$ 201,92 bilhões para US$ 191,31 bilhões no segundo trimestre de 2005, fechando junho no seu menor nível desde dezembro de 1996, segundo Altamir Lopes. O chefe do Depec ainda não sabe como ficou o saldo depois de junho, mas tem certeza de que a dívida externa do país continuou caindo nos dois meses seguintes. No caso da parcela de responsabilidade privada, um sinal disso é a taxa de rolagem dos empréstimos de médio e longo prazos. Essa taxa foi de apenas 45% em julho e de 47% em agosto, ou seja, menos da metade do necessário para cobrir os vencimentos de principal. No caso dos empréstimos mediante emissão de títulos (bônus, notes e commercial papers), a rolagem em agosto foi de apenas 29%. Somando empréstimos em títulos e diretos, por ter sido maior nos primeiros meses do ano, o nível de rolagem ficou em 65% no acumulado de 2005 até agosto. Outro razão para a expectativa de continuidade da queda da dívida externa no terceiro trimestre é o fato de o setor público também ter feito amortizações líquidas de dívida, principalmente pela antecipação de pagamentos ao FMI em julho.