Título: Para Fiesp, país só ganha de outros 4 em competitividade
Autor: Paula Laier
Fonte: Valor Econômico, 23/09/2005, Brasil, p. A3
O Brasil manteve-se na 39ª posição no ranking deste ano do Indicador de Competitividade das Nações, produzido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O estudo inclui 43 países e considera números de 2003, a partir de 83 variáveis. Apesar de permanecer na mesma colocação, o índice mostrou uma leve melhora em relação à última divulgação (com dados de 2002), passando de -0,666 para -0,624. O posto de 2005 é igual ao verificado em 1997 e no intervalo entre 2001 e 2003, acima do apurado em 1998 (38º ) e abaixo da posição de 1999 (41ª ). A Fiesp fez ainda uma simulação com informações referentes a 2004 e 2005, em que o país passaria para o 38º lugar. No ranking relativo a 2005, o Brasil ficou à frente apenas de Colômbia (-0,720), Índia (-0,735), Turquia (-0,785) e Indonésia (-0,810). O país ocupou o grupo dos países com nível de competitividade considerado baixo, atrás de México, que atingiu - 0,548, na 36ª posição, e Argentina, que ficou na categoria avaliada como "média", com índice igual a -0,309, equivalente à 31ª posição. Ainda da América Latina, o Chile (-0,359) e a Venezuela (-0,617) ficaram à frente do Brasil. Lideraram a lista, no quadrante de nível "elevado", Estados Unidos, Suécia e Suíça, com índices iguais a 0,806, 0556 e 541, respectivamente. A Rússia ocupou a 30ª posição e a China, a 28ª . Em relação a 2002, a pesquisa apurou uma melhora nos indicadores brasileiros referentes a gastos com pesquisa e desenvolvimento, produtividade da indústria, participação da balança comercial no Produto Interno Bruto (PIB), alfabetização acima de 15 anos e risco do sistema financeiro. De acordo com a pesquisa, houve piora no que diz respeito à taxa de juro de depósito, a investimentos (formação bruta de capital fixo), à taxa de juros de curto prazo, à carga tributária e ao crescimento real do PIB per capita. Conforme o diretor do Departamento de Competitividade de Tecnologia da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, o custo do capital e a carga tributária continuam servindo como "âncoras" que impedem o país de melhorar sua competitividade. Segundo ele, a elevada taxa de juro real e os impostos tiram a capacidade das empresas de investir. Ele afirmou que para o país crescer 5% ao ano, o percentual de investimento em relação ao PIB deveria ser de 25% ao ano, e não os atuais 19% a 20% ao ano. Entre os pontos mais urgentes a serem abordados em uma agenda de reformas para o crescimento econômico, o estudo ressaltou a questão das taxas dos juros, do spread bancário, do crédito ao setor privado, consumo do governo, carga tributária, formação bruta de capital fixo e inflação. Mas também destacou como importantes pontos como a participação no comércio mundial, tecnologia, infra-estrutura e capital humano. O dirigente avaliou que o resultado da pesquisa não gera um pessimismo, mas é um alerta. "A percepção é de que estamos andando rápido, mas os outros estão andando mais rápido. Nós precisamos acelerar", afirmou. Roriz adiantou que os números serão usados, inclusive, em uma agenda de competitividade que será apresentada em 20 dias pela entidade, com ações e políticas governamentais visando acelerar o desenvolvimento brasileiro.