Título: Severino nega manobra pró-PFL
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 23/09/2005, Política, p. A4

Gerou polêmica a insinuação de suborno para forçar a licença do ex-deputado Severino Cavalcanti, relatada ontem pelo deputado federal Fernando Ferro (PT-PE). Segundo o parlamentar, na véspera da cassação do deputado Roberto Jefferson, um grupo de empresários teria oferecido vantagens financeiras para que o então presidente da Câmara optasse pela licença em vez da renúncia. Com isso, o deputado da oposição, José Thomaz Nonô (PFL-AL) assumiria a cadeira de Severino e abriria um processo de impeachment de Lula. Ferro fez a denúncia ao jornal "Folha de Pernambuco". Liderados por Guilherme Afif Domingos, presidente da Associação Comercial de São Paulo, os empresários queriam que Severino tirasse uma licença médica para que Nonô tivesse mais tempo frente à presidência da Câmara, para dar curso à votação do afastamento de Lula. A proposta de Afif foi feita em duas ocasiões: em um encontro com Severino e reforçada em um telefonema na véspera da cassação de Jefferson, quando Severino estava reunido com lideranças do Congresso em sua casa. Presente à reunião, Ferro afirma que Severino recebeu proposta e demonstrou irritação. "Foi armado um cenário de tumulto político, com o agravamento da crise. Queriam desgastar o presidente. (Severino) nos disse que era grave e que esse era o tipo de pressão que estava recebendo. Disse também que achava que ele não era o alvo principal das denúncias e sim o presidente Lula", relata Ferro. Severino confirmou, por meio de sua assessoria, que de fato recebeu o pedido de Afif Domingos para que se licenciasse por problemas de saúde. A resposta dada ao empresário foi negativa e o ex-presidente da Câmara disse que não faria uma "fraude dessas". O pepista alegou que a história de Fernando Ferro era uma "maluquice": depois que Afif saiu do encontro , Severino e outros deputados comentaram a proposta com ironia - Afif estaria apenas interessado que José Thomaz Nonô assumisse para poder encaminhar um pedido de impeachment do presidente Lula. Ao saber das declarações de Ferro, o líder da minoria, José Carlos Aleluia (PFL-BA), telefonou para Afif. O empresário confirmou que pedira, em encontro e depois num telefonema, para Severino se afastar porque havia medidas provisórios "de nosso interesse" que não estavam sendo votadas por conta da paralisia que tomara conta da Câmara com as denúncias a seu presidente. De fato, tão logo foi acertada politicamente a renúncia de Severino a Câmara votou a MP do Bem. Já o empresário Guilherme Afif Domingos, também por meio de nota, disse que fez o aconselhamento a Severino "tão logo estourou a crise com as denúncias" contra o ex-deputado -" assim como fez, no governo Itamar Franco, o ministro Henrique Hargreaves - para não atrapalhar os trabalhos na Casa". Em seguida diz que "a nossa nação não agüentava e não agüenta mais esperar" e rebate a acusação de propina feita por Ferro como "delírio": "Se isso está sendo colocado como conspiração, afirmamos que se trata de puro delírio de um parlamentar cujo partido está atolado na lama." (Colaborou Raymundo Costa, de Brasília)