Título: Reforma da Previdência desgastou ex-ministro
Autor: César Felício, Sérgio Bueno e Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 23/09/2005, Política, p. A8
Com uma trajetória polêmica no governo Luiz Inácio Lula da Silva, o bancário Ricardo Berzoini, 45, chega ao segundo turno da disputa que terá maioria mais enfraquecida da história do PT. Ao mesmo tempo em que critica a política econômica, foi ministro de duas importantes pastas, Previdência e Trabalho, sendo que deixou a última há pouco mais de dois meses. É candidato do Campo Majoritário, tendência que comanda o partido há mais de dez anos e cuja cúpula foi responsável pela crise do partido, mas promete mudanças administrativas, na mesma medida em que sua vitória pode provocar uma mudança alheia a sua vontade: a debandada de integrantes dos setores da esquerda do partido. Egresso do movimento sindical dos bancários, foi reeleito em 2002 deputado federal, mas não assumiu para aceitar o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o Ministério da Previdência. No cargo, deu ao governo uma de suas mais importantes vitórias: a aprovação da reforma previdênciária, que taxou os servidores inativos. Apesar de sua gestão ter sido considerada eficiente, protagonizou um desgastante episódio ao governo, ao querer obrigar idosos acima de 90 anos a se recadastrar no fim de 2003 para combater fraudes no INSS. Em razão disso, o PFL criou o "Troféu Berzoini de Crueldade". Após um ano na Previdência, foi deslocado para o Trabalho na primeira reforma ministerial. Na nova pasta, seguiu com sua característica de operador e encaminhou ao Congresso outra proposta polêmica, a trabalhista, que flexibiliza as leis trabalhistas. Apesar do empenho nos dois projetos, sindicalistas o apelidaram de "carrasco" de Lula, em razão da perda de direitos que as reformas implicam.