Título: PIB cresce menos no 3º trimestre e depois deve acelerar
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 26/09/2005, Brasil, p. A3

O ritmo da economia neste terceiro trimestre poderá determinar se o país vai crescer 3,5% este ano ou uma taxa mais tímida, de 3%. Economistas de bancos e consultorias constatam que houve um arrefecimento no ritmo de atividade no período, depois de a economia ter crescido forte no segundo trimestre. Eles trabalham com crescimento entre 0,5% a 0,8% para o Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre, depois de a taxa ter avançado 1,4% no segundo. Há consenso de que haverá uma aceleração da atividade no quarto trimestre devido, principalmente, à melhora das expectativas em relação à trajetória de queda dos juros. Mas segundo cálculos do Crédit Suisse First Boston (CSFB), na publicação "Macro Brasil", para o país fechar o ano com PIB de no máximo 3,5%, a expansão teria de ser de 1,3% nos três últimos meses em relação ao terceiro trimestre. No dia 6 de outubro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulga o número oficial da produção da indústria de agosto. O dado é esperado com grande expectativa, pois serve de balizador do nível de atividade do período. As projeções desse indicador no confronto com julho são divergentes. Oscilam entre queda de 0,5%, na projeção de Tomas Málaga, economista-chefe do Banco Itaú, até uma expansão de 1,8%, nas contas de Bráulio Borges, da LCA Consultores, estima expansão de 1,8% A dispersão entre as projeções indica a existência de divergências entre os analistas sobre a trajetória da economia no curto prazo, num cenário tumultuado em grande parte pela crise política, que gerou incerteza nas expectativas dos agentes econômicos. Os diagnósticos mais pessimistas para a acomodação da indústria olham para os juros reais estratosféricos, câmbio baixo, aumento das importações, altos estoques, retração dos investimentos e adiamento das compras do varejo para o Natal. Os mais otimistas, como Bráulio Borges, da LCA, confiam numa revisão dos números de julho e na recuperação do setor de bens de capital e da construção civil, com melhoria do investimento já em agosto. "O investimento continua se recuperando. Não no ritmo do segundo trimestre, mas ficará melhor no quarto, com o impacto do juro baixo na confiança dos empresários. Acredito num ligeiro avanço da taxa de investimento em 2005, dos 19,6% para 20% do PIB", disse. Também aposta num câmbio melhor (R$ 2,45 a R$ 2,50 até o fim do ano). Borges adverte que o importante no quadro atual é separar "o pessimismo conjuntural devido à crise política, do pessimismo estrutural". Ele mantém a projeção de 3,5% para o PIB no ano. Para Guilherme Maia, da Tendências, agosto vai mostrar uma tímida retomada da produção industrial. "A média móvel trimestral mostra variação da atividade próxima de zero", observa. O ambiente da demanda também está um pouco mais fraco, com queda de confiança do consumidor e um mercado de trabalho menos aquecido, com poucas contratações, indicando que seguraram mais a produção, o que vai desembocar num PIB fraco no terceiro trimestre. Maia não afasta a possibilidade de rever sua projeção de PIB do ano, de 3,2%, para baixo, dependendo do resultado da pesquisa industrial de agosto. Estevão Kopschitz, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado no seu modelo de indicadores antecedentes com ajuste sazonal, projeta crescimento próximo de zero na margem. E reconhece que o terceiro trimestre vai apresentar uma taxa pior devido à estabilidade da indústria ao longo de agosto e setembro, aliado ao fator base de comparação. Kopschitz aposta na redução do juro básico para melhorar as expectativas e beneficiar o último trimestre. O Ipea não pretende alterar sua taxa de 3,5% para o PIB. Na publicação "Macro Brasil", do CSFB, os economistas da instituição atribuem o baixo desempenho esperado para o PIB no terceiro trimestre à estabilidade na extração de petróleo, queda da produção da construção civil em relação ao mesmo período de 2004, efeito base de comparação e influência negativa da indústria sobre as atividades do comércio e do transporte. Eles enfatizam, na publicação, a opção por não alterar a previsão de crescimento do PIB de 3,4% para 2005, pois acreditam em crescimento entre zero a 0,5% no terceiro trimestre ante o segundo, mas com aceleração no quarto (1%). Porém, reconhecem ser "alta" a probabilidade de o país crescer menos do que os 3,4% este ano. "O mais provável é que fique num intervalo entre 3% e 3,5%", destacam na publicação. No seus cálculos, para o Brasil crescer 3,5%, seria preciso acelerar fortemente o crescimento do PIB no último trimestre ante o terceiro para uma taxa de 1,3%.