Título: Colômbia propõe mecanismo para controlar cotações
Autor: Patrick Cruz
Fonte: Valor Econômico, 26/09/2005, Agronegócios, p. B11

O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, defendeu a adoção de um mecanismo que impeça que o preço do café fique abaixo de US$ 1 por libra-peso no mercado internacional. Uribe não foi explícito sobre que tipo de medida poderia ser adotada pelos países produtores, mas em discurso no evento do setor em Salvador sugeriu não temer que eventuais ações de defesa do preço do grão desagradem ao mercado. "Quando o mercado produz estragos, nada se diz. Quando os governos criam mecanismos para defender o ingresso social, algumas pessoas se espantam e afirmam que isso é muito grave para a economia", disse o presidente. "Temos que fazer um esforço para colocar um piso de US$ 1 para o café. É uma necessidade". O discurso de Uribe faz referência direta ao movimento de investidores internacionais, que está direcionando recursos para o mercado de petróleo em detrimento do café. Uribe se disse preocupado porque o preço do grão, que chegou a superar US$ 1,10, desceu na semana passada abaixo de US$ 0,90. "É preferível que os economistas nos critiquem a permitir que a vida dos nossos povos continue piorando". A posição colombiana tem peso decisivo sobre o mercado, já que o país é o terceiro maior produtor do mundo, atrás de Brasil e Vietnã. No ano passado, a Colômbia produziu 11,5 milhões de toneladas, volume 3,63% superior ao do ano anterior. O reflexo social do cultivo de café no país é particularmente grande, já que todo o cultivo é realizado manualmente. Nos 869 mil hectares ocupados pelo grão no país trabalham 563 mil famílias. Uribe e Luiz Inácio Lula da Silva devem tratar do tema ainda neste ano, quando Lula for a Bogotá - o presidente brasileiro deve ir à Colômbia até o início de dezembro. "Não existe mais espaço para saídas individuais. Cabe a nós criarmos as condições de valorizar o que nós produzimos", discursou Lula no evento baiano. Embora não fizessem menção direta à fala de Uribe, as manifestações de acadêmicos ligados à pesquisa do café, de representantes da indústria e de executivos do setor foram sempre de oposição a mecanismos unilaterais de manutenção de preços. "Medidas artificiais [de fixação de preços] nunca têm êxito", afirmou Keiji Ohta, presidente da associação japonesa ligada à indústria do grão. "Não há interesse político nem econômico em retomar um sistema de cotas de exportação", reiterou Néstor Osorio, diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC). (PC)