Título: Crédito tem aumento de R$ 61,63 bi em 9 meses
Autor: Mônica Izaguirre
Fonte: Valor Econômico, 26/09/2005, Finanças, p. C3
Mercado Interno Valor total da carteira do sistema financeiro é de R$ 541 bi
A carteira de crédito do sistema financeiro tornou a crescer em relação do Produto Interno Bruto (PIB) no mês passado, mostrando que é consistente o movimento iniciado em fins de 2004. Já são nove meses seguidos de elevação. Nesse período, o saldo das operações como proporção do PIB, que era de 26,1% ao final de novembro, subiu 2,6 pontos percentuais, fechando agosto último em 28,7%. O valor nominal da carteira atingiu R$ 541,21 bilhões, na soma de aplicações com recursos livres e com recursos direcionados (aplicações legalmente obrigatórias). O incremento foi de R$ 61,63 bilhões em apenas nove meses, R$ 56,2 bilhões dos quais de janeiro a agosto de 2005. O crédito às pessoas físicas, cujo estoque atingiu R$ 159,32 bilhões no final de agosto, continua sendo o carro-chefe da expansão. Excluindo os financiamentos habitacionais, o estoque de operações com esse segmento da clientela subiu 26,8% desde o início do ano e 40,4% em doze meses. Ambos os percentuais são bem superiores à média de expansão de toda a carteira de crédito, que situou-se em 11,6% no ano e em 18,7% no acumulado de doze meses até agosto. Comparativamente ao de outros segmentos, o crescimento das operações com o comércio também se destaca na série apurada pelo BC. O aumento, nesse caso, foi de 8,7% nos oito primeiros meses de 2005 e de 16,6% em doze meses. Com isso, o saldo fechou agosto último em um total de R$ 59,32 bilhões. Embora tomado formalmente por pessoas jurídicas, o crédito bancário ao comércio também é, em última instância, destinado para pessoas físicas, pois os lojistas acabam repassando-o à sua clientela, destaca Flávio Rocha, que é presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV). Mesmo nas operações diretas do sistema financeiro com pessoas físicas, ele atribuiu às grandes redes varejistas grande parte da responsabilidade pelo consistente crescimento do crédito visto no Brasil nos últimos meses. Com a criação da figura do correspondente bancário e as parcerias que sugiram com estabelecimentos comerciais a partir daí, os bancos aumentaram sua capacidade de operar no crédito de varejo, afirma o presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo. Não é por acaso, portanto, que o carro chefe da expansão são as operações com pessoas físicas. O fenômeno é fruto da aproximação entre lojas e sistema financeiro e da inclusão bancária que isso gerou, aumentando o universo de tomadores de crédito. A capilaridade das redes varejistas não foi o único fator a propiciar tal aproximação. A formação de cadastros positivos (de bons pagadores) pelos lojistas também "favoreceu a celebração de acordos entre grandes varejistas e sistema financeiro", diz o presidente do IDV. "Tais acordos têm sido relevantes para tornar mais amplo o acesso da população aos serviços oferecidos pelas instituições financeiras", acrescenta Flávio Rocha. Um outro indicador da forte expansão do crédito a pessoas físicas é o fluxo mensal de novas concessões com recursos livres dos bancos. Nesse último segmento da carteira, o fluxo bruto de crédito novo cresceu 15,3% de janeiro a agosto e 27,1% em doze meses, segundo o Banco Central. Especificamente nos financiamentos de aquisição de bens, o crescimento em 12 meses foi maior ainda, chegando a 36,1%. Já nas operações com empresas, o aumento do volume mensal de novas contratações de crédito foi de apenas 2,5% durante este ano e de 18,8% em doze meses, segundo os números da autoridade monetária.