Título: Birô positivo reduz juros e amplia acesso a dinheiro
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 21/09/2005, Finanças, p. C1
Aumento da oferta de financiamento, atendimento a clientes de baixa renda, redução da inadimplência e dos juros são os principais benefícios do birô positivo de crédito nos países onde foi implantado. A constatação é da International Finance Corporation (IFC), afiliada do Banco Mundial que trabalha no setor privado, e foi apresentada pelo seu consultor, o italiano Oscar Madeddu, que está trabalhando no Brasil há um mês. A IFC e o Banco Mundial estão acompanhando de perto a criação no Brasil do birô positivo de crédito, banco de dados com informações do comportamento dos tomadores de recursos, que inclui não só dados de inadimplência mas também de pontualidade nos pagamentos. "O birô positivo reduz o risco dos bancos e o próprio rating do país", justificou Madeddu. Por isso, a IFC tem o Programa Global de Birô de Crédito, que reúne especialistas que atua no mundo todo, do qual o italiano faz parte. Madeddu disse que um dos mais importantes pontos é que o birô positivo inclua informações não só de pessoas físicas como também de pequenas e médias empresas - positivas e negativas. A Central de Risco de Crédito que já existe no Banco Central apenas registra operações acima de R$ 5 mil, o que deixa boa parte do financiamento de varejo de fora (crédito direto ao consumidor). Além disso, acrescentou, o birô deve incluir informações de bancos, de lojas que oferecem crédito e até de dados de concessionárias de serviços públicos, ter dados de cinco ou mais anos; incluir dados de todos os créditos acima de 1% da renda per capita e garantir os direitos dos consumidores de verificar seus dados e corrigi-los. Madeddu informou que apenas 14 de 120 países estudados pelo Banco Mundial tinha birôs com todos esses requisitos. Talvez um dos principais impactos do birô seja a redução do juro propiciada pela diminuição da inadimplência. Estudo feito pela consultoria Hadlow apurou que, em países onde o birô inclui informações positivas e negativas, a inadimplência no crédito pessoal é metade dos 8% registrados quando não há compartilhamento de informações e menor também do que os 6% onde o birô tem apenas dados negativos. No caso dos cartões de crédito, o birô completo reduz a inadimplência a 4%, dos 5% registrados quando o birô é como o brasileiro e dos 7% registrados quando não há nenhum acompanhamento. A inadimplência também cai significativamente no caso das linhas de cheque especial, de 95 na pior situação, em que os bancos não contam com nenhuma fonte de informação compartilhada, para 5% quando há birô completo. O especialista da IFC também ressaltou que o birô positivo aumenta o acesso ao crédito, especialmente entre as pessoas de renda mais baixa, que não têm comprovante de renda ou garantias para apresentar. Pesquisa do Banco Mundial em 52 países mostra que o mesmo raciocínio vale para as pequenas e médias empresas: sem o birô, a probabilidade da empresa pegar crédito bancário é de 28%; com o birô, o percentual sobe a 40%. (MCC)