Título: Compartilhamento de POS começa pela área de fronteira
Autor: Maria Christina Carvalho
Fonte: Valor Econômico, 21/09/2005, Finanças, p. C1
O projeto de compartilhamento das máquinas de leitura de cartões de débito e crédito, os POS (de point of sale), deve começar pelo que o mercado chama de área de fronteira, informou o presidente da MasterCard, Desmond Rowan, que participou ontem do C4 Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor. Rowan explicou que a área de fronteira compreende as cidades onde é reduzida ou inexistente a oferta de POS. A Caixa Econômica Federal, disse, está definindo quais são essas cidades. O projeto de compartilhamento dos POS é considerado uma das prioridades do Banco Central (BC) e a nova fase do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). O problema, explicou Rowan, é que cada uma das duas grandes bandeiras - Visa e MasterCard - utilizam software diferentes. Para que o POS seja compartilhado, precisa ter sua capacidade de memória ampliada para comportar os dois sistemas distintos. Uma equipe com representantes das duas empresas já está estudando o assunto. A área de fronteira, estimou, pode envolver 50 mil terminais - número pequeno para o total de 1 milhão de POS que existem no Brasil. No interior do país, a MasterCard tem colocado POS ao custo de aluguel de R$ 39 por mês. O executivo salientou, porém, que cerca de 35% das transações com cartões já usam POS compartilhados - são as transações realizadas em supermercados e farmácias. O Banco Central quer ampliar o número de transações eletrônicas para reduzir o risco e dar mais eficiência ao sistema financeiro. No mundo dos cartões, disse Rowan, 99% das transações já foram realizadas eletronicamente em agosto, "com risco zero". O 1% restante de transações foi feito no antigo sistema que o presidente da MasterCard chama de "mata pulga", em que o cartão é pressionado por uma máquina em um papel especial. Outra área que está crescendo, disse Rowan, é a de cartões para pequenas e médias empresas. A MasterCard começou a oferecer cartões para esse segmento há um ano e meio e já vendeu 75 mil cartões. O mercado potencial é de 500 mil, estima. O mercado de cartões vem crescendo como um todo. Segundo dados da Partner Consultoria, o número de cartões de bandeira dobrou de 28 milhões em 2000 para 58 milhões neste ano. Já os cartões de loja, também chamados de private label, passaram de 42 milhões para 81 milhões no mesmo espaço de tempo. Em faturamento, porém, os cartões de bandeira representam receita superior, com R$ 100 bilhões no ano passado de faturamento para R$ 17,1 bilhões dos cartões de loja. No entanto, os private label vêm sendo assediados pelas grandes bandeiras, que vêem grande potencial de crescimento nesse mercado. (MCC)