Título: Partido da Igreja Universal adia planos de olho em 2006
Autor: Thiago Vitale Jayme
Fonte: Valor Econômico, 27/09/2005, Política, p. A8

Idealizado pelo chefe da Igreja Universal do Reino de Deus, bispo Edir Macedo, o recém-criado Partido Municipalista Renovador (PMR) vai deixar para 2007 a estratégia de filiação de políticos evangélicos. O plano é manter os parlamentares evangélicos espalhados nos outros partidos para garantir sua reeleição em 2006 e só trazê-los ao PMR no ano seguinte. A demora do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em aprovar a criação do partido - sacramentada no dia 25 de agosto - atrapalhou os planos da Universal. A igreja teria até o dia 30 de setembro para trazer os parlamentares e planejar a campanha de 2006. A data é o limite para mudança de partido antes das eleições do próximo ano. A escassez de tempo para costurar alianças nos estados e garantir tempo de rádio e TV e a falta de estrutura do PMR nos municípios levaram a Universal a mudar de rumo. "O mais importante para a igreja é o mandato do deputado", diz o deputado Jorge Pinheiro, presidente da Universal no Distrito Federal e um dos organizadores do novo partido. Ele mesmo não sairá do PL até 2006. "É muito arriscado, pois não teremos direito a tempo de TV e rádio e não conseguiremos garantir uma aliança para termos uma legenda forte. O partido nasceria com 30 deputados, mas daqui um ano acabaria com dois ou três. Pareceria um fracasso". O envolvimento do ex-bispo e deputado Carlos Rodrigues no escândalo do mensalão complicou a situação do PMR. O parlamentar do PL chefiava politicamente a construção do novo partido e foi expulso da Universal. Para substituí-lo, a igreja escolheu o deputado estadual Léo Vivas (PL-RJ). O cálculo da Universal é que apenas dois ou três deputados, da Paraíba e da Bahia, migrarão para o PMR até o dia 30. Nesses Estados, os governadores Cássio Cunha Lima (PSDB) e Paulo Souto (PFL) querem o apoio da Universal para se reeleger. Com o freio nas filiações de deputados, a sigla investirá nos vereadores recém-eleitos. "Queremos começar pela base e fortalecer o partido nos municípios, que é a lógica correta da formação de uma nova legenda", afirma Pinheiro. Há resistências, entre os evangélicos, à filiação ao PMR. O senador Marcelo Crivella (PL-RJ) é um que não virá tão cedo para o PMR. Pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro em 2006 e com intenção de deixar o PL, Crivella quer uma legenda forte. "Filiar-se a um partido ligado à igreja pode lhe tirar votos. Não é interessante politicamente", diz um interlocutor do senador. A intenção da Universal é filiar parlamentares também sem vínculo com os movimentos evangélicos. Hoje, a igreja do Bispo Edir Macedo conta com 21 dos 65 deputados da bancada evangélica da Câmara, a maioria do PL e do PMDB. Se os 21 forem reeleitos, o PMR já contará com quase todos eles a partir de 2007, tornando-se um partido médio e com maior apelo para trazer políticos não-ligados a qualquer movimento religioso. Tal estratégia faria com que o PMR superasse os 5% de votos exigidos pela cláusula de barreira.