Título: Varig convoca nova assembléia de credores
Autor: Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 27/09/2005, Empresas &, p. B2
Depois de uma tumultuada assembléia no sábado, quando cinco horas de deliberações não bastaram para que os trabalhadores da Varig se entendessem para nomear um titular e os suplentes para representá-los no comitê de credores, nova convocação foi feita para 13 de outubro. Caso não haja quórum, outra assembléia vai ocorrer no dia 19, dessa vez sem necessidade de quórum elegendo-se o representante dos trabalhadores entre os que estiverem presentes. Nas demais classes foram escolhidos o fundo de pensão Aerus, para representar os credores da classe 2, e a estatal Infraero para o grupo 3, sem dívidas garantidas. O administrador judicial da Varig, João Cysneiros Vianna, explicou que na nova assembléia dois itens terão que ser apreciados: a eleição de um representante dos trabalhadores (que compõem a classe 1 de credores) e o plano de recuperação apresentado pelos atuais administradores da Varig, incluindo a venda da subsidiária Varig Logística (VarigLog). "Em 13 de outubro terá que ser nomeado o representante dos trabalhadores e, em seguida, terá que ser decidida a aprovação, a rejeição ou a modificação do plano de reestruturação da Varig. É evidente que a rejeição tem que ser excluída, pois implicaria na decretação da falência da Varig", diz Vianna. Ao que tudo indica, será difícil a aprovação do plano de reestruturação, até porque ele embute a venda da VarigLog por US$ 38 milhões à vista, o que segundo se calcula é insuficiente até para quitar a dívida da Varig no curto prazo. Para completar a vasta rede de complicações no caminho da recuperação, é possível que seja levada a apreciação dos credores a proposta da Docas Investimentos, do empresário Nelson Tanure. A Docas está oferecendo um aporte de US$ 40 milhões imediato, o que segundo defendem os sindicatos, evitaria a venda da VarigLog. A assembléia de sábado expôs divergências entre os trabalhadores, ampliadas depois que o Tribunal de Justiça do Rio entendeu que os votos para indicação do representante dos funcionário seria feito com base no volume de crédito, e que os sindicatos só representavam seus associados e não a totalidade de empregados da Varig. Com isso, a recém criada Associação dos Trabalhadores do Grupo Varig, que representava funcionários com R$ 45 milhões em créditos, teria o direito de indicar o representante. Mas os seis sindicatos que representavam créditos R$ 28 milhões se abstiveram de votar, resultando em falta de quórum.