Título: CNI vê ritmo mais intenso no fim do ano e eleva PIB
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 28/09/2005, Brasil, p. A3

A forte demanda externa e os sinais de aquecimento do mercado interno - aumentos do crédito, da massa salarial e do gasto público - convenceram os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) a alterar para 3,5% a taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2005. Na última análise da entidade, em julho, a variação era estimada em 3,2%. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), ligado ao Ministério do Planejamento, já tinha feito uma revisão, mais otimista, do crescimento do PIB em 2005. No início de setembro, a projeção do instituto passou para 3,5%, ante 2,8% previstos em junho. O economista Paulo Mol acredita que o ritmo de crescimento do PIB no quarto trimestre será mais intenso que o do terceiro trimestre. De julho a setembro, segundo a CNI, houve uma acomodação da atividade, mas o período outubro-dezembro deve ter desempenho mais forte, próximo do que foi registrado no segundo trimestre. A inflação está convergindo para a meta do governo em 2005 (4,5%, com variação de 2,5 pontos percentuais) e a CNI já acredita que o IPCA ficará em 5,1%, de janeiro a dezembro. Em julho, a expectativa era de 6%. Para 2006, a projeção de aumento dos preços também não preocupa, porque o IGP-M - índice que reajusta aluguéis e tarifas públicas - está, segundo Mol, "bem comportado". Outro sinal de bom desempenho da economia no ano que vem, segundo a CNI, é o do investimento. A formação bruta de capital fixo este ano deve ficar nos 4%, longe dos 10% de 2004, mas 2006 deve ter investimento melhor que os 4%. Na justificativa do coordenador da unidade de política econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, os anos com eleições costumam registrar mais investimentos, principalmente nas áreas de construção civil e infra-estrutura. Na revisão das projeções da CNI para a economia em 2005, foram elevadas as expectativas de crescimento do PIB (3,5%), PIB industrial (4,4%), produção física na indústria (4%), exportações (US$ 117 bilhões) e superávit primário (4,85%). Permaneceram como estavam as estimativas para importações (US$ 76 bilhões), déficit nominal (3,2% do PIB), dívida pública líquida (50,5% do PIB) e taxa média de juros (19,1%). A queda ficou para a inflação, com IPCA de 5,1%.