Título: Bornhausen critica liberação de recursos
Autor: Ivana Moreira
Fonte: Valor Econômico, 28/09/2005, Política, p. A5

Crise Presidente do PFL recua de crítica à esquerda e diz que ataques eram dirigidos à cúpula do PT e aos corruptos

A liberação de R$ 500 milhões para emendas de parlamentares, anunciada pelo governo federal, é tentativa "desesperada", que "cheira à derrota". A avaliação é do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen. Como a votação é secreta, o senador duvida que a liberação seja garantia de apoio à candidatura do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB). "Como o governo está dividido, as chances da oposição são reais", avaliou o senador pefelista, que esteve ontem em Belo Horizonte para um encontro com o governador de Minas, Aécio Neves. O presidente do PFL reconheceu que será uma disputa difícil, mas afirmou que está confiante na vitória do pefelista José Thomaz Nonô. O senador descartou uma composição do PFL com a ala oposicionista do PMDB, que registrou a candidatura de Michel Temer (SP), no primeiro. Mas admitiu que a aliança poderá ocorrer em caso de vitória de Thomaz Nonô. Bornhausen disse ontem que José Thomaz Nonô, mesmo sendo oposição ao governo, terá um "relacionamento cordial, respeitoso e constitucional" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso seja eleito. Questionado sobre a possibilidade de Nonô levar à frente um eventual pedido de impeachment de Lula, o senador afirmou que, nesta questão, não pesará o fato de ser oposição. "(É preciso ver) Se há fundamentos ou se não há fundamentos, não é questão de ser governo ou ser oposição", disse. "Nós vivemos em um regime democrático em que há uma Constituição, e ela tem que ser seguida", respondeu. Em Belo Horizonte, Bornhausen negou ter criticado publicamente a esquerda brasileira. Segundo ele, suas declarações foram direcionadas ao comando do PT e às pessoas que praticaram corrupção. Recentemente, o senador declarou que "a raça da esquerda deveria ser banida do Brasil pelos próximos 30 anos". "Não fiz nenhuma crítica à esquerda, pelo contrário". "O que eu critiquei foi o comando do PT e aqueles que participaram dos atos de corrupção. A esquerda não", afirmou. Para se justificar, citou exemplos de esquerdas sobre os quais seria injusto fazer críticas, como o governador Leonel Brizola, morto em 2004. Sobre uma possível aliança com PSDB do governador Aécio Neves em 2006, o presidente do PFL afirmou que as negociações estão em curso mas que ainda é cedo para falar de composição da chapa nas eleições presidenciais do próximo ano. "Estamos em fase de negociações." Na capital mineira, Jorge Bornhausen participou nesta terça-feira da solenidade de filiação ao PFL de cinco novos membros, dois empresários mineiros e três deputados estaduais - Agostinho Patrus (ex-PTB), Jairo Lessa (ex-PL) e João Bittar (ex-PL),