Título: EUA querem passar parte de subsídios a programas legais
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Fonte: Valor Econômico, 28/09/2005, Especial, p. A12
Os Estados Unidos pretendem transferir parte de seus subsídios agrícolas de programas ligados diretamente a commodities para programas considerados "permitidos" pela Organização Mundial do Comércio (OMC), disse ontem o embaixador americano Peter Allgeier, negociador americano para a Rodada Doha. Os subsídios considerados permitidos, ou classificados na "caixa verde", incluem recursos para programas de conservação ambiental ou desenvolvimento rural. A proposta de Allgeier provoca preocupação entre europeus e brasileiros, que querem negociar uma redução real no total de subsídios concedidos, não importando sua categoria. Allgeier disse que o volume total de corte de subsídios dependerá do quanto aumentará o acesso a mercados dos exportadores agrícolas americanos na União Européia, Suíça e Japão, por exemplo. Mas o embaixador americano admitiu que o alto déficit público dos EUA deverá reduzir o total de subsídios concedidos na próxima legislação agrícola, que entrará em vigor em 2007. O conselheiro econômico brasileiro Evandro Didonet, que representou o Brasil na discussão, disse que os tetos permitidos de subsídios (US$ 19 bilhões para os EUA e US$ 88 bilhões para União Européia) teriam de ser reduzidos em mais de 50% para que haja alguma redução real - já que nem todo o limite é utilizado. Allgeier lembrou que os EUA vincularão a questão agrícola a um "equilíbrio" que inclua acesso a mercados em produtos manufaturados. Didonet respondeu que a questão-chave é a agricultura e que da mesma forma só haverá concessão em mercadorias pelos países em desenvolvimento se houver progresso na área agrícola. Apesar das diferenças que continuam a existir, a negociação da Rodada Doha aproximou as estratégias comerciais do Brasil e EUA. Ambos estão interessados em reduzir o protecionismo agrícola europeu e favoráveis a uma redução do total concedido. Allgeier diz que a relação entre os EUA e o G 20 (grupo de países em desenvolvimento que atua como um bloco em negociações comerciais) tornou-se "mais construtiva" nos últimos meses. O G 20 tem atuado como mediador entre Europa e EUA e foi o autor da fórmula de redução tarifária agrícola que está em negociação. "O Brasil e os EUA têm atuado como aliados na negociação em Doha", disse Allgeier. A percepção do governo brasileiro é parecida. "Temos na área de acesso a mercados uma posição parecida com a dos EUA na OMC", disse o ministro Celso Amorim. (TB)