Título: Novo diretório abre mais espaço à crítica econômica
Autor: Cristiane Agostine
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Política, p. A8
Sem que nenhuma chapa tenha obtido maioria absoluta, o resultado da eleição interna do PT joga para o Congresso interno da sigla, a ser realizado em dezembro, a definição das propostas para a campanha do partido na eleição de 2006. Mesmo com a vitória do candidato situacionista, Ricardo Berzoini, no segundo turno, o PT poderá adotar um tom mais crítico em relação à política econômica do governo federal. O documento base "Bases de um projeto para o Brasil", da chapa do Campo Majoritário, teve seu texto assinado pelos ex-dirigentes Delúbio Soares e Silvio Pereira, além do secretário de Organização, Gleber Naime. A proposta texto defende a linha econômica seguida pelo governo e segue a linha da "Carta ao Povo Brasileiro", divulgada durante a eleição de 2002 pelo partido para acalmar o mercado financeiro. Berzoini . O documento deverá ser rediscutido. É defendido com maior vigor pela ala situacionista vinculada à ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy. Mas Berzoini, caso vença, precisará se aproximar de correntes como a Articulação de Esquerda e o Movimento PT, ambas críticas desta orientação, para formar a sua maioria. Dentro das instâncias decisórias do partido, os antigos majoritários têm 42%. Precisa se aproximar da tendência "PT de Luta de Massas", controlado pela família Tatto, que obteve 5,6%. O Movimento PT, tendência de centro, ficou com 11,5% dos votos. No encontro, os novos dirigentes já terão tomado posse. Os eleitos assumem os cargos uma semana depois da divulgação dos resultados. Os delegados com direito a voto que participam do congresso e votam no encontro são definidos em cada diretório estadual. Com o peso do campo majoritário na grande maioria dos Estados - foi derrotado em apenas 3 dos 27- também pode influenciar na escolha dos participantes. A esquerda promete ir para o ataque e aproveitar o espaço conquistado na eleição, com a ampliação dos 35,3% para 39,9% dos dirigentes. Raul Pont, da Democracia Socialista, contesta a tese do campo e quando questionado, na terça-feira, sobre a tendência de o documento dos conservadores ir à votação, disse que o partido terá que discutir muito as propostas antes. "Não existe esse automatismo de levar a tese do Campo Majoritário à votação", afirmou. Com apoio de outras tendências de esquerda, o grupo de Pont tentará influenciar o documento final.