Título: Perdedores lamentam uso de critério político
Autor: Cláudia Schüffner e Paulo Emílio
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Empresas &, p. B9
Os Estados preteridos na escolha para receber os investimentos da refinaria de Petrobras e PDVSA se ressentem da decisão, já que, para eles, o critério utilizado foi eminentemente político. Pelo menos um deles, o Rio Grande do Norte, prepara represálias. O Estado deixará de receber a refinaria e não teve sinalização de apoio para a instalação do pólo gás-químico, empreendimento que surgiria como uma espécie de compensação pela perda do empreendimento. O secretário estadual de Planejamento do Rio Grande do Norte, Vagner Araújo, resume a decepção. "Foi a crônica da morte anunciada", disse. "É lamentável que uma empresa de porte internacional como a Petrobras tenha sido usada para respaldar um capricho político do presidente Lula." No Ceará, outro Estado que estava na briga pela refinaria, o governo preferiu se pronunciar sobre a decisão apenas hoje, depois do anúncio oficial. O governo local também encarou a vitória de Pernambuco como política, pois o Ceará reuniria todos as exigências técnicas para receber o investimento. No final de julho, o governo cearense enviou à Petrobras e à PDVSA 100 pastas com documentos que argumentavam em favor da instalação da refinaria no Porto de Pecém. O material continha 200 quilos de documentos. Como compensação, o Ceará já recebeu apoio da Petrobras para o fornecimento de gás natural para a instalação de uma siderúrgica no Estado. A coreana Dong Kuk, a italiana Danielle e a Vale do Rio Doce estão no projeto, que exigirá investimento de mais de US$ 750 milhões, mas ainda não existe uma definição. O acordo prevê o fornecimento diário de 1,8 milhão de metros cúbicos de gás por 20 anos. A governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria, mostrou-se disposta a criar barreiras, o que levou a assinatura do acordo com a Petrobras a ser adiado desta semana para o dia 17 de outubro. O gás da futura siderúrgica cearense será fornecido pelo Rio Grande do Norte, que produz quatro milhões de metros cúbicos por dia. Segundo o secretário Vagner Araújo, o Estado vai criar barreiras para a cessão de licença ambiental para a construção do gasoduto que levará o produto ao Ceará. No pólo gás-químico pretendido pelo Rio Grande do Norte produziria PVC. A cessão do gás para outro Estado inviabilizaria o projeto. O gás, diz Araújo, também poderia ser usado na termelétrica Termoaçu ou no Progás, programa para a atração de novas empresas.