Título: Petrobras e PDVSA terão 50% cada uma de refinaria em PE
Autor: Cláudia Schüffner e Paulo Emílio
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Empresas &, p. B9

Petroquímica Acordo bilateral entre Brasil e Venezuela será assinado hoje

A refinaria que a Petrobras e a PDVSA vão anunciar hoje em Pernambuco terá capacidade de processar 200 mil barris de óleo pesado por dia. Os dois sócios terão participação de 50% cada um. O investimento de US$ 2,3 bilhões a US$ 2,5 bilhões também será partilhado na mesma proporção, assim como a matéria-prima. A informação foi dada pelo diretor da Expetro, Jean-Paul Prates, e consultor do governo do Rio Grande do Norte, que ouviu essas explicações na segunda-feira do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, que esteve com a governadora Wilma de Faria para informar a decisão final sobre a localização da refinaria. Gabrielli viajou para o Nordeste junto com outros dois diretores da Petrobras, Guilherme Estrella, da área de exploração e produção; e Paulo Roberto Costa, da área de abastecimento, comercialização e refino. "Foi quase um dia de luto para o Estado, que sonhava com uma refinaria há trinta anos, desde que se descobriu petróleo no Rio Grande do Norte. Lá, a avaliação é que o Estado continuará fornecendo matéria-prima para os outros sem se beneficiar de sua maior riqueza natural", disse Jean-Paul Prates, explicando o clima do encontro. A diretoria da estatal teve reuniões separadas com os governadores de cada um dos Estados que continuavam na disputa pela refinaria - Ceará, Maranhão e Sergipe, além do Rio Grande do Norte - para comunicar sua decisão. Os técnicos da Petrobras sempre se mostraram constrangidos com as constantes afirmações feitas pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, sobre o local da refinaria brasileira. As duas gigantes do petróleo na América do Sul produzem óleo do tipo pesado e ao dividir o investimento também dividem o risco tecnológico e de mercado. Elas também saem na frente com um projeto de processamento de óleo pesado em um momento de déficit na capacidade mundial de refino, construindo uma unidade que permitirá usar em grande escala o petróleo pesado produzido tanto no Brasil como na Venezuela. Para a PDVSA, a associação traz um benefício importante: permite sua entrada no mercado brasileiro de derivados tendo com sócia sua maior "rival" na região, tanto na produção de petróleo como na distribuição de combustíveis. Já o governo pernambucano festejou a decisão. Pernambuco agora busca captar recursos para viabilizar a infra-estrutura necessária para receber o projeto De acordo com o presidente do Complexo Industrial e Portuário de Suape, Matheus Antunes, serão necessários investimentos estimados entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões . De acordo com Antunes, é necessário melhorar a oferta de água para os investidores, reformular o sistema viário e ferroviário, ampliar a oferta de energia elétrica e dragar parte do porto externo e da bacia de evolução, além de construir um cais para o recebimento de navios petroleiros com até 300 mil toneladas de peso bruto. "Somente a dragagem está orçada entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões. Alguns projetos, como a oferta de água, podem ser viabilizados através de parcerias público-privadas (PPPs). A oferta de gás natural deverá ser viabilizada através da própria Petrobras ou da PDVSA, com a implementação do gasoduto Gasene ou através de terminais de regaseificação. Com uma arrecadação média mensal de R$ 330 milhões, a Secretaria da Fazenda ainda não dispõe de um estudo sobre o impacto que um investimento como a refinaria teria sobre sua arrecadação. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Jorge Corte Real, já se colocou à disposição para auxiliar no treinamento da mão-de-obra necessária à refinaria e disse que vai auxiliar na capacitação das indústrias locais para que elas possam atender ao projeto. Segundo ele, o desenvolvimento econômico será significativo, já que deverá haver crescimento também em áreas como hotelaria e serviços. De acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico, Alexandre Valença, não foram oferecidos incentivos fiscais para atrair o projeto.