Título: BNDES estuda financiar interessados na Light
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Empresas &, p. B8

Energia

O presidente do BNDES, Guido Mantega, disse ontem, durante entrevista na Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), que o banco poderá financiar um potencial comprador da Light, se houver necessidade. Mantega nada disse sobre a possibilidade de o próprio BNDES ser sócio da Light, já que subscreveu debêntures conversíveis em ações da distribuidora, por ocasião da liberação de um socorro de R$ 727 milhões dentro do plano de capitalização das distribuidoras. Ele deixou claro, porém, que só vai financiar empresas interessadas no negócio que tenham capacidade confirmada de pagar ao banco. "Mas, até agora, nada nos foi apresentado", informou. A Electricité de France (EDF), companhia francesa controladora da distribuidora fluminense de energia elétrica, contratou o banco Goldman Sachs para encontrar um comprador para a empresa. A intenção da EDF é vender o controle da companhia ou ter um sócio estratégico que assuma a gestão e injete recursos na distribuidora, que possui um dos maiores níveis de inadimplência do setor. O Goldman Sachs já identificou entre 30 e 40 possíveis compradores para a distribuidora. No ano passado, grupos se movimentaram também para comprar a empresa, chegando mesmo a se anteciparem a uma possível decisão da EDF nesse sentido. Em agosto de 2004, foi encaminhada ao BNDES uma consulta de uma operação que resultaria em um controle compartilhado entre o banco, a própria EDF (com um percentual menor de ações, mas mantendo o controle da distribuidora) e a Parnaso, empresa de participações cujo representante era Eduardo Gouvêa Vieira, atual presidente da Firjan e presidente da EDF no Brasil, que teria o objetivo de reunir investidores. O negócio não avançou, mas pelos acertos contratuais feitos com a Light, que recebeu do banco um socorro de R$ 727 milhões por ter aderido ao programa de capitalização das distribuidoras de energia elétrica, o BNDES recebeu debêntures conversíveis em ações da empresa nesse valor. Essa operação dá ao banco a opção de se tornar seu sócio em até 30%. Mantega não falou sobre o assunto, mas fez referência a uma cláusula que condiciona o crédito do BNDES à Light a melhoria das condições financeiras da empresa. Sua entrada no nível 2 da Bovespa é reflexo da exigência da instituição. Quanto a uma futura reestruturação societária, Mantega disse que o assunto cabe a Light. "Agora que ela (Light) está reestruturada cabe a ela ver as alternativas (de sócios) e terá todo nosso apoio numa eventual parceria com novos grupos", declarou.