Título: BNDES vai apoiar projetos do leilão
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Valor Especial / ENERGIA, p. F2
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) promete participar ativamente da ação do governo no sentido de assegurar a oferta de energia para o país, sobretudo a partir de 2009. É o que afirma o chefe do departamento de energia elétrica da instituição, Nelson Siffert. A preocupação do banco é mudar em definitivo o tratamento concedido à questão energética no país, a fim de dar aos desembolsos um caráter pragmático que eles nem sempre tiveram. "Estamos trabalhando no sentido de aumentar o investimento produtivo", diz Siffert. "É intenção do banco não mais atuar como no passado, quando a concessão de crédito se dava no âmbito de programas emergenciais, como na época do racionamento, ou financiamento à compra de empresas, como ocorreu na privatização. Esses financiamentos não se traduziam no aumento da capacidade do sistema de elétrico". A instituição deve divulgar, no início de outubro, as condições financeiras para apoiar projetos contemplados pelo leilão de energia nova, em dezembro, e também para o leilão de transmissão, previsto para novembro. O Valor apurou que o banco terá R$ 9 bilhões para financiar os consórcios vencedores. Entre as definições a serem divulgadas pela direção do banco - provavelmente em conjunto com o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau - está uma mudança na indexação dos contratos. A idéia do BNDES é retirar a cesta de moedas estrangeiras da correção dos novos financiamentos. "O funding seria em moeda local, tornando mais atrativo o financiamento", afirma o executivo. Na visão do banco, o setor elétrico brasileiro tem características que o tornam peculiar. O fato de ser fundamentalmente baseado na hidroeletricidade - 76% da matriz em 2004, de acordo com o MME - e de que o país ainda pode triplicar o seu parque gerador hídrico é um fator positivo. Principalmente em um cenário futuro de dificuldades em todo o mundo para a obtenção de energia. Desse modo, é intenção do banco apoiar a política desenvolvida pelo ministério. No entender do BNDES, o modelo adotado ajuda a fomentar o desenvolvimento econômico. "Se o país tiver energia a baixo custo, vai conseguir transferir competitividade aos outros segmentos das cadeias produtivas", define o chefe do departamento de energia elétrica. Este ano o banco já aprovou 16 projetos na área, mais do que os 14 do ano passado, com desembolso total superior a R$ 5 bilhões. Entre empréstimos e investimentos, cinco projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) também receberam R$ 633 milhões, ao passo que R$ 1,7 bilhão foi gasto em quatro projetos de distribuição. As perspectivas são de aprovar, ainda este ano, mais três projetos de geração, três de transmissão e 20 de PCHs, com um gasto total estimado em R$ 11,2 bilhões. O BNDES está analisando, na área de geração, os projetos das usinas de Estreito (MA), São Salvador (TO) e Foz do Chapecó (divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul). Os três devem agregar 1.380 megawatts (MW) à capacidade geradora do país. Os investimentos previstos pelo banco nas três unidades remontam a R$ 6 bilhões. Outros R$ 4,2 bilhões seriam empregados nos projetos de distribuição (R$ 1,2 bilhão), transmissão (R$ 2,5 bilhões) e PCHs (R$ 1,5 bilhão). Embora parte das obras em análise possa começar este ano, os desembolsos devem se efetivar a partir de 2006 e se estender até 2008. Os três projetos de geração são parte do esforço para assegurar o fornecimento de energia a partir de 2009. Para a área de transmissão, a estratégia do banco tem sido investir na ampliação e no reforço das linhas. (E.B.)