Título: RS pode tornar-se auto-suficiente até 2008
Autor: Sérgio Bueno
Fonte: Valor Econômico, 29/09/2005, Valor Especial / ENERGIA, p. F4

Estados Novo modelo do setor abriu muitas oportunidades para levar investimentos ao parque gaúcho

Apesar de identificar alguns "gargalos" que podem atrapalhar novos investimentos em geração, o secretário de Energia, Minas e Comunicações do governo gaúcho, Valdir Andres, acredita que, sob o novo modelo do setor elétrico, o Rio Grande do Sul poderá produzir internamente toda a energia que consome até o fim de 2008. Hoje, o Estado depende do sistema interligado nacional porque busca em outras regiões do país 40% dos mais de 4 mil megawatts (MW) que chega a utilizar nos meses de verão, mas uma lista de projetos de usinas hídricas, térmicas e parques eólicos tem condições de reverter o quadro, acredita. "Agora temos um modelo, um regramento claro, em vez de uma legislação esparsa como antes", comenta o secretário, que também é presidente do conselho de administração da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), estatal estadual que opera nos segmentos de geração, transmissão e distribuição de energia. Para ele, a política do governo federal para o setor passará pelo teste de fogo no leilão de energia nova marcado para dezembro. Andres diz que o Rio Grande do Sul "nunca teve tantas oportunidades" de atrair investimentos no setor. Ele lista quatro térmicas a carvão, duas hidrelétricas, além de três parques de geração eólica e nove pequenas centrais hidrelétricas enquadrados no Programa de Incentivos às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), mais cinco projetos de geração a partir de biomassa em condições de sair do papel ou já em andamento. A relação totaliza pouco mais de 2,4 mil MW, sem contar outros 295 MW de potência instalada em usinas da Companhia Energética Rio Das Antas (Ceran), consórcio liderado pela CPFL Geração, que devem entrar em operação entre o segundo semestre deste ano e o fim de 2008. Há ainda a hidrelétrica Barra Grande (Baesa), no rio Pelotas, entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que deve iniciar as operações entre novembro deste ano e o primeiro semestre de 2006 com potência de 700 MW. Das quatro térmicas a carvão, as que têm melhores condições de ser implantadas a partir do leilão de energia nova são Candiota 3, no município de Candiota, e Jacuí I, em Charqueadas. Cada uma delas terá potência de 350 MW e ambas já contam com quase 50% dos equipamentos instalados. A empresa alemã CCC Machinery, dona de 90% de Jacuí I por intermédio da subsidiária brasileira Hamburgo Energia, já anunciou que participará do leilão de energia nova e tem disposição de investir US$ 300 milhões na conclusão da usina a partir de janeiro de 2006. Conforme a secretaria gaúcha, a chinesa Citic International Contracting (CIC) comunicou ao governo estadual que pretende participar da licitação e investir US$ 285 milhões em Candiota 3. Dois projetos de novos aproveitamentos hidrelétricos elaborados pela CEEE para o leilão de dezembro receberam a licença ambiental prévia da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e reforçam a relação do secretário gaúcho. As usinas São José e Passo São João foram planejadas para operar no rio Ijuí, no noroeste do Estado, com potência instalada de 51 e 77 MW, respectivamente, e exigirão um investimento total próximo de R$ 450 milhões durante 30 meses de construção, estima Andres.