Título: Entrada no capital da Galp ainda é incerta, diz diretor
Autor: Leila Coimbra
Fonte: Valor Econômico, 30/09/2005, Empresas &, p. B1

O relacionamento entre a Galp e a Petrobras está cada vez mais estreito. Além da parceria formalizada para a disputa da Gas Brasiliano, está em discussão também a entrada da Petrobras no capital da Galp. Isso poderia ser feito por meio de duas maneiras: ou a compra pela Petrobras da participação de 33,34% que a Eni - atual dona da Gas Brasiliano - possui na estatal portuguesa ou por meio de um possível processo de privatização da companhia, em análise pelo governo de Portugal. Atualmente, está sendo elaborado um novo modelo do setor elétrico português e uma reestruturação do capital das estatais não está descartada. A italiana Eni deverá definir em breve se deseja permanecer ou não no capital da Galp. Em meados do mês de setembro, uma comissão de executivos da Galp esteve no Brasil. A missão foi liderada pelo presidente executivo da Galp, Marques Gonçalves. Na ocasião, ele sondou a disponibilidade da Petrobras em comprar a participação da Eni. O diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, confirmou a vinda dos executivos da Galp ao Brasil recentemente para selar a parceira relativa à compra da Gas Brasiliano. A negociação que envolveria a entrada da Petrobras no capital da Galp por meio da aquisição da fatia do grupo italiano na estatal portuguesa ainda é muito preliminar, segundo Cerveró. "Nada ainda está definido", afirmou. Segundo ele, as duas operações com a Galp são coisas independentes, apesar de próximas. "Para a disputa da Gas Brasiliano já está tudo certo. Mas a participação da Petrobras no capital da Galp encontra-se em estágio muito primário", reafirmou. A parceria entre as duas companhias centrou-se, até agora, exclusivamente na área da pesquisa e exploração de petróleo em território brasileiro. No encontro entre os executivos também foram discutidas parcerias entre a Petrobras e a Galp em projetos para a exploração de petróleo em São Tomé e em Guiné-Bissau, que poderão agrupar também a Petrogal e a Sonangol, além das petrolíferas locais A decisão da Galp em fortalecer parceria com a Petrobras insere-se dentro da estratégia internacionalização da empresa, e de reforço dos ativos de gás. (LC)