Título: Mantega não quer taxação
Autor: Allan, Ricardo
Fonte: Correio Braziliense, 24/04/2010, Economia, p. 14
O segundo grande tema de discussão na reunião em Washington foi a taxação do lucro dos bancos para reaver parte da injeção multibilionária que os Tesouros nacionais fizeram para salvar o sistema financeiro da bancarrota. Os principais interessados em um consenso para a criação de um imposto em todos os países do G-20 são os Estados Unidos e o Reino Unido, cujas casas bancárias só não faliram por causa do auxílio do dinheiro público. ¿Esses governos têm urgências políticas e fiscais para estabelecer uma tributação. Mas não houve consenso sobre o assunto. O Brasil e o Canadá até apoiam a medida para quem quiser adotá-la, mas não veem necessidade de fazer isso internamente¿, concluiu o analista João Pedro Ribeiro, da consultoria Tendências. O grande patrocinador da ideia é o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que fez uma forte defesa do imposto, anteontem, na frente de executivos bancários. A única declaração sobre a reforma financeira que alcançou consenso na reunião do G-20 foi a necessidade de tornar a regulação mais rígida, com o fortalecimento das regras de Basileia. No mundo, elas exigem que, para cada US$ 100 emprestados, o banco tenha um patrimônio de US$ 8. No Brasil, a norma é mais rígida: a exigência é de R$ 11 de capital para cada R$ 100 financiados. ¿Em nenhum desses fóruns multilaterias sairá nada de concreto sobre taxar a atividade bancária em bases mundiais ¿, apostou o estrategista-chefe do Banco WestLB no Brasil, Roberto Padovani. Em uma série de pontos, os ministros e presidentes dos BCs delinearam como deveria ser o crescimento mais igualitário (veja quadro). Eles deixaram de fora a taxação bancária, mas pediram que o Fundo Monetário Internacional (FMI) faça um estudo sobre sua viabilidade técnica. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, confirmou as divergências sobre o tema dentro do G-20. ¿O Brasil não precisa dessa taxa. Nosso sistema financeiro não contribuiu para a crise mundial e não impôs perdas ao país. Os países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) acreditam que a tarifa é mais apropriada para economias que tiveram perdas financeiras¿, disse. (RA)