Título: PMDB faz moção de repúdio a Renan por apoio a Aldo
Autor: Vanessa Jurgenfeld
Fonte: Valor Econômico, 03/10/2005, Política, p. A8
Crise Garotinho e Luiz Henrique chegam a defender a expulsão do presidente do Senado
Lideranças do PMDB estão unidas na tentativa de tirar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) do partido. Durante convenção em Palhoça (SC), os três governadores do sul e o secretário de governo do Rio, Anthony Garotinho, assinaram uma moção pedindo para que Calheiros "seja julgado pelo conselho de ética, caso ele não tome a decisão de se desligar do PMDB". A moção deixava claro o descontentamento com o senador: "Depois de propor e estimular a candidatura de Michel Temer à Câmara, horas depois, ao sair de audiência no Palácio do Planalto, passou a defender candidato de outro partido". Uma expulsão de Calheiros chegou a ser citada na semana passada pelo governador Luiz Henrique da Silveira(SC), mas dessa vez, foi respaldada por outros nomes do partido. O ex-governador do Rio de Janeiro o acusou de traidor por ter apoiado Aldo Rebelo (PC do B) na eleição da Câmara. "Temos que dizer para o Brasil que o PMDB não está à venda e nem Renan Calheiros tem procuração para vender o PMDB", discursou. Garotinho defendeu a expulsão do senador. "O que ele fez foi grave. Isso não pode passar como se nada tivesse acontecido. A traição foi pública e o repúdio deve ser público", disse. Em seguida, relatou aos cerca de cinco mil militantes presentes que Calheiros havia ligado para ele três vezes nos últimos dias e que na terceira vez ele pediu que sua secretária desse o recado: "Enquanto ele não se desculpar publicamente pela traição, não converso particularmente com ele". A expulsão de Calheiros, contudo, não é uma unanimidade entre os peemedebistas, nem mesmo os que estavam em Santa Catarina. Alguns julgam a atitude muito forte e que prejudicaria o partido em 2006. Roberto Requião, governador do Paraná, disse que não é a favor da expulsão, mas à submissão do caso ao conselho de ética. O próprio presidente do PMDB, Michel Temer, estava evitando falar sobre o episódio. Mas após ter sido lida a moção, logo no fim do encontro, ele resolveu se manisfestar, ainda que em tom brando. "Eu jamais voltaria a tocar no assunto. Meu estilo é da sensatez, do equilíbrio, da unidade e não da divisão. Mas sabemos que na política há uma esperteza, às vezes até benéfica. Mas a política é guiada pelo limite ético. E Renan ultrapassou qualquer limite. Tínhamos a presidência nas mãos e ela nos foi surrupiada pelo gesto dele", disse. A moção será levada a Brasília, explicou Temer, e será analisada por demais membros do partido. Disse que não pretende com isso buscar a divisão (já conhecida) do PMDB. Mas deu claro recado ao senador. "Quem não quer candidatura própria, que saia do PMDB". O evento em Palhoça foi o terceiro de uma série de encontros que o partido iniciou pelo país para avaliar que tipo de governo a base do partido quer para 2006. Capitaneada pelo economista Carlos Lessa, a pesquisa pretende direcionar a candidatura própria do partido, defendida pelos três governadores do sul, Garotinho e Temer. Os encontros e a pesquisa são vistos pelos peemedebistas como indicadores de que o partido não vai recuar no projeto de candidatura própria. "Antes a cúpula definia o plano de governo, agora é a base que está definindo".