Título: Tratores chegam à era do biocombustível
Autor: Cibelle Bouças
Fonte: Valor Econômico, 04/10/2005, Agronegócios, p. B10
Máquinas Empresas desenvolvem tratores movidos a biodiesel puro e adaptados a misturas de 5% a até 20%
As principais empresas de máquinas agrícolas que atuam no país estão fazendo pesquisas para adaptar os motores de seus tratores à era dos biocombustíveis. Agrale, CNH, Valtra e AGCO realizam testes e adaptações para que seus veículos aceitem, misturas de 5% a 20% de biodiesel (de soja, mamona ou girassol) e até mesmo o biodiesel puro. A brasileira Agrale iniciou neste ano, em parceria com a Agropalma, testes com tratores de pequeno porte (até 36 cv de potência) adaptados a misturas de diesel com o biodiesel à base de óleo de palma (dendê). As empresas também testam motores movidos a biodiesel puro. A parceria foi firmada em 2004, e a meta da Agrale é lançar motores e tratores bicombustíveis em 2006. "O objetivo é atender principalmente à demanda da agricultura familiar, que tende a voltar seu foco para o biodiesel", diz Sílvio Rigoni, gerente de tratores da companhia. A Agrale também desenvolve pesquisas em parceria com a Embrapa e universidades públicas do Rio Grande do Sul para motores adaptados a misturas de biodiesel de mamona e outros óleos vegetais, mas não informa o valor investido nesses projetos. A CNH, do grupo Fiat, desenvolve há um ano pesquisa em parceria com a Emater-Paraná para a adaptação de motores ao biodiesel de girassol. Christian Gonzalez, diretor de marketing para a América Latina, informa que a empresa faz testes em motores com misturas de 5% a 20% de biodiesel - de soja e mamona. Ele acrescenta que a CNH está fechando uma parceria na área para testar tratores movidos a biodiesel puro a partir de 2006. O nome do parceiro, no entanto, é mantido em sigilo. "A meta é desenvolver um motor que se adapte a qualquer biodiesel." Realizando pesquisas com motores bicombustíveis desde 2001, a Valtra pretende lançar máquinas adaptadas a misturas de até 20% de biodiesel a partir de 2007. As pesquisas com o combustível B20 começaram em agosto deste ano. A empresa, controlada pela americana AGCO, já aplicou R$ 150 mil nesse projeto e aplicará outros R$ 350 mil no próximo ano. A Valtra também desenvolve, desde 2004, veículos que aceitam misturas de até 5% de biodiesel de mamona ou de soja. O trabalho é feito em parceria com USP de Ribeirão Preto, Unesp de Jaboticabal, Usina Catanduva, Delphi, Coopercitrus e Chevron Texaco. "De modo geral, os motores de tratores se adaptam a misturas de até 5% sem precisar de mudanças", diz Jak Torreta Júnior, gerente de produto da Valtra. Ele observa que a diferença do biodiesel para o diesel é a presença de mais impurezas e de ácidos graxos no primeiro, o que compromete a lubrificação do motor. Mas como os motores de tratores já aceitam mais impurezas do que o motor de automóveis, por conta de seu uso no campo, a mistura de biodiesel não afeta o seu desempenho. A AGCO também tem feito testes para ver a adaptabilidade de seus motores a misturas de biodiesel de até 5%. Fábio Piltcher, diretor de marketing, diz que a empresa está acompanhando as discussões sobre o tema, mas que por enquanto não fará investimentos em pesquisa com biodiesel. A empresa vai esperar os produtores adotarem a tecnologia para investir em pesquisas. Segundo Persio Luiz Pastre, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em maio de 2004, a entidade endossou a decisão do governo de adotar mistura de 2% de biodiesel no óleo diesel a partir de 2007. Em função disso, as indústrias que produzem veículos movidos a diesel adaptaram seus motores a esse percentual.