Título: Sem voar, Vasp resiste e aprova recuperação judicial
Autor: Vanessa Adachi
Fonte: Valor Econômico, 11/10/2005, Empresas &, p. B2
Aviação
A Vasp perdeu a licença de vôo em janeiro deste ano e sua frota própria de cerca de 30 aviões - todos muito antigos - está espalhada por diversos aeroportos país afora, como Brasília, Guarulhos, Recife e Salvador. As aeronaves simplesmente ficaram onde estavam quando acabou o dinheiro para encher o tanque. Ainda assim, a companhia de Wagner Canhedo, resiste a desaparecer de vez. Agora a Justiça de São Paulo aprovou o pedido de recuperação judicial, feito em junho. A decisão foi dada pelo juiz Alexandre Alves Lazzarini, da 1ª Vara Especial de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, na sexta-feira, dia 7. Com isso, a companhia obtém uma moratória de 180 dias, prazo durante o qual poderá elaborar e aprovar com seus credores um projeto de recuperação. No período, ficará protegida de execuções de dívidas e também de pedidos de falência. Procurado ontem, Canhedo, que estava em Brasília, onde mora, não foi localizado para comentar a decisão. Mas, segundo uma pessoa próxima a ele, Canhedo estava muito empenhado em obter a aprovação da Justiça, embora o pedido de recuperação tenha sido feito pelos interventores da Justiça do Trabalho. Por conta das dívidas trabalhistas da Vasp, da ordem de R$ 80 milhões, em março o juiz Lúcio Pereira de Souza, da 14ª Vara do Trabalho de São Paulo decretou a intervenção na empresa. O juiz Lazzarini nomeou como administrador judicial da Vasp para o processo de recuperação o advogado Alexandre Tajra. É difícil imaginar o que vai acontecer na prática com a companhia. De qualquer forma, voltar a voar parece uma possibilidade remota. Basta olhar as dificuldades enfrentadas pela Varig, que ainda tem a vantagem de continuar em operação, em processo semelhante de recuperação judicial. Na ação de recuperação judicial, os interventores da Vasp pediam o afastamento do empresário Wagner Canhedo e de sua família do controle da companhia. O Ministério Público do Trabalho não se opôs ao pedido de recuperação e por causa da situação incomum da empresa (sob intervenção), antes de deferir o pedido, o TJ de São Paulo pediu que dois peritos atestassem as condições da Vasp de apresentar toda a documentação exigida no processo.