Título: Investimento deve superar 20% do PIB
Autor: Vera Saavedra Durão
Fonte: Valor Econômico, 13/10/2005, Brasil, p. A3
Conjuntura Percentual vale para o terceiro trimestre e para o ano, mas ainda é inferior ao que o país precisa
A participação do investimento no Produto Interno Bruto (PIB) deverá superar o patamar de 20% no terceiro trimestre do ano, depois de fechar em 19,9% no segundo. Os economistas Mérida Herasme Medina, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Aurélio Bicalho, do Banco Itaú e Fernando Montero, da Corretora Convenção, projetam taxas de investimento entre 20,3% e 21,1% para o período. Para o ano, o Ipea prevê uma taxa de investimento de 20,6%, a maior desde 1994, impulsionada pelo aumento dos preços de máquinas e equipamentos. O fato é positivo, mas nesse patamar a economia não sustenta taxas de crescimento muito superiores a 3% ao ano, a não ser que ocorram choques de produtividade, como observou Bicalho, do Itaú. A participação do investimento no produto ainda está abaixo do necessário para o Brasil ter asseguradas taxas de crescimento de 5% ao ano. Montero e Bicalho trabalham no terceiro trimestre com um crescimento para a formação bruta de capital fixo (FBCF) entre 1,5% e 2% em relação ao segundo trimestre, mantido um comportamento da indústria em setembro igual ao de agosto. A FBCF mede a evolução dos gastos em máquinas, equipamentos e na construção civil. Em agosto passado, o investimento foi impulsionado pela produção de bens de capital, que aumentou 3,1% em relação a julho e 3% na comparação com igual mês de 2004, enquanto a construção civil apresentou queda de 0,5%. Ainda em agosto, o consumo aparente de máquinas e equipamentos cresceu 6,3% na estimativa de Montero, enquanto as importações evoluíram 41,8%. Em setembro, as compras de bens de capital no exterior cresceram 31% em relação a setembro de 2004. No ano, a alta acumulada é de 29%. Os números confirmam a expectativa do Ipea de que a FBCF será impulsionada, este ano, pelo setor de bens de capital, apesar de seu peso na taxa de investimento ser menor (35%) do que o da construção civil (65%). "A construção não reagiu este ano, tem muita medida que iria ser tomada para impulsionar o setor que ficou na gaveta ou só agora está sendo aprovada, como o desconto de impostos para imóveis, em sua maioria de baixa renda. Mas, o ano está acabando e nada saiu ainda. O setor de máquinas e equipamentos é que vai sustentar o investimento", analisa Mérida. Nas suas contas, o setor de bens de capital acumulou aumento de produção de 2,7% até agosto, mas se tirar a parcela equivalente a máquinas agrícolas (em queda), este percentual sobe para 7%. "Alguns grupos de bens de capital estão muito bem, como os seriados, que cresceram 11% no ano, energia elétrica (17%), transportes (9%). Fora agrícola, este setor está com muito dinamismo", observou. No âmbito das importações de máquinas, o crescimento foi estimulado pela valorização do real e pela queda da alíquota de importação de bens de capital, que caiu de 14% para 2%. No terceiro trimestre de 2004 o investimento cresceu 11,5% em relação ao segundo trimestre e 19,3% ante o mesmo período de 2003. O ano fechou com expansão de 10,9%, e a taxa de investimento encerrou 2004 com participação de 19,6% do PIB. Quase dois pontos acima dos 17,8% de 2003. O crescimento deste ano será percentualmente menor, mas será o segundo consecutivo. A melhora da participação do investimento no PIB prevista para 2005, conforme avaliam os economistas ouvidos pelo Valor e o próprio Ipea, está ocorrendo em razão de um aumento esperado nos preços relativos do investimento, principalmente de máquinas e equipamentos. Ou seja, as empresas estão pagando mais para adquirir máquinas para tocar seus projetos. O Ipea não quis adiantar suas novas previsões de crescimento do investimento para o terceiro trimestre e nem para o ano. Sua projeção atual para o desempenho da FBCF em 2005 é de 5,3% - boletim de conjuntura de setembro. Mérida acredita que o investimento continuará crescendo no quarto trimestre, devendo encerrar a uma taxa de crescimento superior a de 3,5% prevista para o PIB. Montero e Bicalho apontam para uma taxa acumulada do investimento nos três trimestres do ano entre 2% e 1,9% e, para o ano de 3% a 3,5%. Para Montero, o investimento deve terminar 2005 empatando em crescimento com o PIB.