Título: Prefeito pede uma "solução imediata"
Autor: Fernando Lopes
Fonte: Valor Econômico, 13/10/2005, Agronegócios, p. B10
O produtor Adilton Sachetti, eleito prefeito de Rondonópolis pelo PPS em 2004, encara a crise de liquidez dos grãos na região com temor. Segundo ele, é preciso uma solução imediata para a situação, e esta solução tem de vir do governo federal "Se for preciso injetar recursos, tem de injetar. E também é preciso mudar a política cambial com urgência. Depois, é necessário coragem para mexer com problemas estruturais antigos que não afetam apenas o agronegócio, mas todo o país, incluindo problemas fiscais, reforma política, leis trabalhistas e infra-estrutura". Em entrevista telefônica ao Valor, Sachetti afirmou que os problemas que afetam o plantio da safra 2005/06 já são sentidos na cidade há meses. A arrecadação da prefeitura vem caindo desde abril. Naquele mês, foram R$ 13,8 milhões; em setembro, R$ 10,5 milhões. "Prevíamos um orçamento de R$ 160 milhões para o ano, e não teremos mais do que R$ 135 milhões. E o desemprego, que afeta empresas ligadas ao setor desde março, já chegou ao comércio local". Segundo ele, é difícil apelar ao governo estadual porque este enfrenta problema semelhante. Por isso a saída é o governo federal - que poderá até lançar mecanismos para sustentar a comercialização, mas que já sinalizou que a injeção de recursos novos é quase impossível. "Se o governo não entender que há uma tsunami chegando, não vai sobrar um produtor em 2006". Conforme o prefeito, além do problema de caixa decorrente da combinação entre custos em alta no plantio e preços e dólar desfavoráveis à comercialização depois da colheita, a região de Rondonópolis enfrentou problemas climáticos que derrubaram a produtividade da soja de 50 sacas por hectare para 30 em 2004/05. Por isso, diz, os prejuízos variaram de US$ 200 a US$ 300 por hectare. "Vínhamos embalados por duas ou três safras fantásticas, mas no ciclo 2003/04 enfrentamos o problema da ferrugem [fungo que ataca as plantações de soja], que já nos deixou endividados. Para gerar fluxo de caixa, investimos em novas áreas de cultivo na safra 2004/05, mas caímos em uma arapuca principalmente por conta do câmbio". (FL)