Título: Ações recuam e mercado de boi pára
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 14/10/2005, Agronegócios, p. B12

A descoberta de um foco de febre aftosa em Eldorado, no Mato Grosso do Sul, está causando "estragos" de vários tamanhos e tipos no setor de carnes em geral. Ontem, as ações de Sadia e Perdigão despencaram na Bovespa por conta do temor de que suas exportações sejam afetadas, segundo Willian Maeda, da Ágora Senior. As duas empresas são grandes exportadoras de carne suína e estão ingressando - no caso da Sadia, retomando - no mercado de carne bovina de olho no avanço das exportações brasileiras nos últimos anos. As ações da Sadia caíram 5,98% e as da Perdigão, 5,95% enquanto o Ibovespa recuou 2,4%. A aftosa no Mato Grosso do Sul gerou ainda rumores no mercado de que a agência Fitch pode rebaixar a classificação de Sadia, Perdigão, Bertin e Friboi. O mercado de boi gordo também parou com a descoberta do foco de aftosa. De acordo com Fabiano Tito Rosa, da Scot , frigoríficos não estão comprando animais porque não sabem o que irá acontecer. As negociações só devem se normalizar quando se souber como ficará a situação de São Paulo, cujas exportações de carne bovina para a UE foram suspensas junto com Paraná e Mato Grosso do Sul. De São Paulo, saem 70% das vendas externas brasileiras do produto. Desde que foi descoberto o foco, o preço da arroba ficou estável entre R$ 59,00 e R$ 60 em São Paulo, conforme levantamentos da Scot e do Instituto FNP, respectivamente. Rosa avalia que não há fundamentos para forte queda em São Paulo, já que há pouca oferta de gado. José Vicente Ferraz, do Instituto FNP, acrescenta que os embargos impostos ao Brasil não devem ser duradouros porque "falta carne no mercado internacional". No Mato Grosso do Sul, a arroba também se estabilizou desde que o foco foi anunciado, em R$ 55 na região de Dourados e em R$ 54 em Campo Grande. "Lá, o pecuarista vai sofrer mais, vai ter queda de preço", afirma Ferraz. O Friboi, que tem unidade em Campo Grande, informou que passará a produzir carne in natura só para o mercado local nessa planta. As três plantas de São Paulo continuarão atendendo o mercado interno e a produzir carne industrializada para exportação. Já as exportações de carne in natura serão atendidas pelas suas unidades de Goiás, Mato Grosso, Minas e Rondônia. A Secretaria de Agricultura de São Paulo encaminhou documento pedindo à UE que reverta o embargo ao Estado. "O Estado é corredor de exportação para a carne brasileira através do Porto de Santos e, do ponto de vista sanitário, não se justifica este embargo extensivo a São Paulo, prejudicando praticamente o país", afirmou o secretário Duarte Nogueira, em nota. Em Santa Catarina, suinocultores acreditam que o embargo à carne bovina deve colocar mais produto no mercado interno, derrubando os preços de todas as carnes. Para o presidente da Aurora, José Zeferino Pedrozo, há sinalização de que o preço ao produtor cairá na próxima semana. Hoje, o integrado recebe entre R$ 2,20 e R$ 2,25 por quilo vivo, com tipificação da carcaça. Os abates de suínos no Estado se aceleraram nos últimos dias.