Título: Uruguai barra carga gaúcha na fronteira
Autor: Mauro Zanatta
Fonte: Valor Econômico, 14/10/2005, Agronegócios, p. B12

Os efeitos do foco de aftosa no Mato Grosso do Sul chegaram ontem (dia 13) ao Rio Grande do Sul, depois que três caminhões carregados com cerca de 20 toneladas de carne maturada, desossada e embalada a vácuo do frigorífico Mercosul destinada ao Uruguai foram barrados pelas autoridades do vizinho. Em contrapartida, a Superintendência Federal da Agricultura no Estado também reteve uma carreta com 8 a 10 toneladas de carne uruguaia importada do frigorífico Pool pela rede gaúcha de supermercados Zaffari. José Euclides Severo, diretor técnico da superintendência, lembrou que o Uruguai foi um dos poucos países que suspenderam a importação de carne bovina de todo o Brasil. Mas ele não vê motivos para a retenção do produto maturado e desossado destinado ao consumidor final, e disse que técnicos estão em Montevidéu para tentar reverter a trava. Conforme Severo, a preocupação uruguaia é demonstrar aos EUA, que absorvem a maior parte de suas exportações de carne, que estão adotando medidas fortes contra a aftosa no Brasil. Os caminhões brasileiros foram barrados na fronteira entre as cidades de Jaguarão e Rio Branco e Bagé e Mello, enquanto a carga uruguaia foi retida em Jaguarão para forçar negociação. O Uruguai importou em 2004 100 toneladas. Também ontem, o governador gaúcho, Germano Rigotto, cobrou uma postura "mais firme" do governo federal no combate à aftosa e defendeu a vacinação contra a doença em todo o país. O receio é que, como Santa Catarina não vacina o rebanho, uma eventual contaminação no Estado vizinho levaria rapidamente a doença às portas gaúchas. Nesta semana, o medo da doença levou o governo gaúcho a ampliar de três para oito o número de barreiras fixas na divisa com Santa Catarina e a reforçar a vigilância na fronteira com a Argentina. Do Estado, está autorizado apenas o ingresso de aves e suínos de produtores integrados a indústrias. Também está liberada a entrada de carne industrializada ou originária de um frigorífico com destino a outro, desde que fiscalizada pelo governo federal.