Título: Venezuela terá de negociar, diz Amorim
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 18/10/2005, Brasil, p. A4
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, reconheceu ontem que a inclusão da Venezuela no Mercosul exige habilidade diplomática e política, pois demanda uma negociação com o Pacto Andino em torno da definição de tarifas de exportação. Ele afirmou, no entanto, que é "perfeitamente possível" sob as perspectivas técnica e política uma adequação de tarifas. "É claro que com os países do Mercosul, onde já há uma tarifa externa comum (e são quatro países), a Venezuela vai ter que fazer um trabalho interno - e nós estamos tentando ajuda-la nisso - para adequar a sua tarifa à desses países. Dentro dos acordos do Pacto Andino, teria de haver uma concessão específica, mas não creio que seja muito difícil", analisou o ministro. Segundo ele, apesar dessas ponderações, a inclusão da Venezuela no Mercosul foi considerada muito positiva pelo governo brasileiro. "O Mercosul já tem acordo de livre comércio com o Pacto Andino, de modo que eu creio que isso (as negociações sobre tarifas da Venezuela) não venha a ser um grande problema", disse o chanceler. O ministro das Relações Exteriores desmentiu qualquer tratativa oficial entre Brasil, Venezuela e Argentina na área nuclear. "No momento não há nenhum acordo sendo feito entre os países. Todos os países têm o direito ao desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Isso é normal", disse ele. Celso Amorim afirmou que o Ministério de Relações Exteriores não recebeu nenhuma proposta específica de acordo com esses países. Ele sinalizou que essa não seria uma prioridade para o governo no momento. "Não há nenhuma dificuldade intrínseca, mas também não há urgência nesse sentido, até porque o Brasil tem de terminar todo o desenvolvimento de enriquecimento no acordo feito com a agência atômica", esclareceu o ministro. Por enquanto, enfatizou Amorim, o acordo está restrito ao campo das idéias. "O Brasil tem também de examinar todas as ações nessa área à luz das prioridades. Temos de completar um aspecto importante do nosso programa nuclear. Somos abertos à cooperação com qualquer país, mas não existe isso ainda. É apenas uma idéia", afirmou. O governo brasileiro assinou ontem um acordo de cooperação com a Itália nos setores de energia, desenvolvimento tecnológico, turismo e indústrias criativas. (MLD)