Título: BNDES pode entrar na operação de ajuda à Varig
Autor: Arnaldo Galvão
Fonte: Valor Econômico, 18/10/2005, Empresas &, p. B2
Aviação
O presidente da República em exercício, José Alencar, acredita que ainda nesta semana será possível chegar a uma solução para a crise da Varig. Ontem ele teve uma reunião com os principais dirigentes da empresa em seu gabinete no Ministério da Defesa. Hoje, o encontro de Alencar é com representantes dos maiores credores da companhia aérea: sindicatos de aeronautas, aeroviários, associação dos pilotos, Banco do Brasil, BNDES, BR Distribuidora e Infraero. Uma das propostas que será apresentada na reunião no Planalto estabelece que o BNDES irá criar uma SPE (Sociedade de Propósito Específico) para ofertar ao mercado ações da VarigLog, empresa de logística e transporte do grupo e da VEM (Varig Engenharia e Manutenção). Com os recursos arrecadados, seriam saldados ou renegociados compromissos de curto prazo que ameaçam a sobrevivência da Varig, como a dívida com as empresas de leasing de aviões. A Varig enfrenta um processo de recuperação judicial, o que equivale ao antigo regime da concordata. As dívidas superam R$ 6,5 bilhões. Alencar também confirmou que será realizada, amanhã, uma reunião dos credores da Varig no Fórum do Rio. A primeira ocorreu em 13 de outubro. Essas reuniões são feitas para que o Judiciário tenha a aprovação dos credores com relação à proposta da companhia que está em recuperação judicial. Recusando-se a revelar qual a solução que tem mais chance de sucesso na negociação, Alencar limitou-se a dizer que há várias alternativas. "Temos preocupação com os trabalhadores. Aeronautas e aeroviários têm sindicatos diferentes. Os trabalhadores são credores da Varig. É um crédito especial", disse o vice-presidente. O presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, também negou-se a dar mais detalhes da negociação com os credores. Ele fez uma avaliação positiva do encontro com Alencar. "Foi uma reunião conceitual de avaliação das propostas", disse. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, também encontrou-se ontem com José Alencar. Ele pediu uma solução para o problema que está, na sua opinião, prejudicando a empresa aérea BRA. Cunha Lima disse que a companhia fez um pedido de 20 slots - espaços e horários para que seus aviões operem - em Congonhas (SP), mas recebeu apenas 6. (Com Folhapress, de Brasília)