Título: Skaf anuncia nova diretoria da Fiesp em cerimônia com presença de Lula
Autor: Ricardo Balthazar
Fonte: Valor Econômico, 08/11/2004, Brasil, p. A-2

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, anuncia hoje a nova composição da diretoria da entidade, numa cerimônia planejada para ser uma exibição de seu prestígio político. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou presença na festa, da qual também participarão ministros e outras autoridades. Ligado à indústria têxtil, Skaf foi eleito em agosto e recebeu discretas manifestações de apoio de Brasília durante a campanha eleitoral, a mais acirrada vivida pela entidade em muitos anos. Ele venceu a disputa prometendo defender os interesses dos empresários exercendo maior influência nas decisões tomadas pelo governo e pelo Congresso. Skaf passou os últimos meses buscando nomes de prestígio para sua diretoria. O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa, hoje um consultor de empresas privadas, e o deputado Delfim Netto (PP-SP), foram convidados para presidir conselhos temáticos do Instituto Roberto Simonsen, um centro de estudos ligado à Fiesp que atuou discretamente nos últimos anos. A intenção de Skaf é revigorar esses conselhos e fazer com que orientem a atuação dos vários departamentos da Fiesp no dia-a-dia. O departamento de relações internacionais passará a ser dirigido pelo empresário Roberto Giannetti da Fonseca, ex-secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O de meio ambiente ficará com Nelson Pereira dos Reis, presidente da Copebrás, fabricante de matérias-primas para fertilizantes. Skaf teve dificuldades para montar sua equipe. Os novos ocupantes de alguns postos só foram definidos nos últimos dias. Com um número limitado de cargos para oferecer, ele precisou conciliar seu desejo de buscar nomes conhecidos que dêem mais visibilidade à atuação da Fiesp com a necessidade de acomodar os interesses dos dirigentes de sindicatos patronais que o apoiaram durante a campanha. A apresentação da nova diretoria da Fiesp também indica o fim da trégua combinada logo após a eleição entre Skaf e o empresário Claudio Vaz, do setor de autopeças. Derrotado na eleição da Fiesp, Vaz elegeu-se presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), uma associação formada por 8 mil industriais que sempre funcionou junto com a Fiesp e tem forte atuação em algumas regiões do interior paulista. Esta é a primeira vez que as duas entidades são dirigidas por grupos diferentes. No início da trégua, Skaf sugeriu que Vaz indicasse alguns diretores dos departamentos da Fiesp para manter unida a estrutura de apoio técnico das duas entidades. Vaz logo percebeu que seu pessoal teria muito pouca influência nos departamentos e rejeitou a oferta. Ele deve anunciar nos próximos dias a formação de cinco departamentos e um centro de estudos no Ciesp, duplicando a estrutura da Fiesp. Até o fim do ano, a separação entre as duas entidades deverá ser completa. Vários andares do prédio da avenida Paulista onde elas ficam pertencem ao Ciesp, mas a maioria dos funcionários, móveis, telefones e computadores são da Fiesp, que também administra as verbas milionárias do Serviço Social da Indústria (Sesi) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Vaz terá no Ciesp um orçamento de R$ 25 milhões para o ano que vem, menos da metade do que Skaf terá na Fiesp, sem contar as contribuições do Sesi e do Senai. Embora Skaf tenha mais simpatia do governo, Vaz não encontrou dificuldades para ser recebido em Brasília com freqüência nas últimas semanas. Nos próximos meses, a rivalidade entre os dois só tende a crescer.