Título: Contingenciamento de verbas já afeta rodada
Autor: Chico Santos e Cláudia Schüffner
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2005, Brasil, p. A3
O esvaziamento de pessoal e o contingenciamento de verbas do orçamento para a Agência Nacional do Petróleo (ANP) estão afetando, pela primeira vez , uma rodada de licitações. Um reflexo foi o erro na totalização da arrecadação com bônus de assinatura no primeiro dia do leilão. Na segunda-feira, a agência informou que haviam sido arrecadados R$ 546,6 milhões, mas o número foi corrigido para R$ 416,3 milhões - resultado 23% menor que o divulgado. O pessoal da área de licitações tentou checar durante todo o dia de ontem o total arrecadado manualmente. Mas a falta de pessoal era um problema até para isso, já que todos os envolvidos com o leilão estavam trabalhando na sala onde estão sendo feitas as ofertas. Outro problema da atual rodada é a lentidão no processamento dos dados. Uma das razões é a debandada do pessoal da área de licitações. Hoje restam apenas três dos 15 funcionários com experiência em leilões. A maioria dos que estão trabalhando na rodada é de estagiários do Programa de Formação de RH das universidades. O último superintendente de licitações, Daniel Pedrosa, deixou a agência para trabalhar na portuguesa Petrogal. Pedrosa tinha assumido o lugar de Ivan Simões Filho, que deixou a ANP para trabalhar na Gaffney, Cline & Associates, empresa americana que organizou os três primeiros leilões da agência. Agora, a superintendência de promoção de licitações está a cargo de Marilda Rosado de Sá Ribeiro, que assumiu quando a rodada já estava em andamento. O diretor da ANP responsável pela área de licitações, John Forman, explicou que um problema é a falta de recursos para trocar os equipamentos de informática, que são antigos e têm programas desenhados para um número menor de empresas. Este ano cerca de 170 companhias se pré-qualificaram e 114 se habilitaram para o leilão. O esvaziamento da agência ocorre em um momento de transição. A agência se prepara para receber os funcionários que passaram no primeiro concurso público, ao mesmo tempo em que a entrada de novos players no mercado atraiu os funcionários experientes, que receberam propostas de salários maiores na iniciativa privada. Além disso, os cortes orçamentários se tornaram freqüentes. Em 2005 a ANP solicitou orçamento de R$ 412 milhões, mas só foram aprovados no Congresso R$ 148 milhões, sendo que em fevereiro foi estipulado um limite financeiro de R$ 79 milhões. Agora, a expectativa é de fechar o ano com os R$ 148 milhões requeridos.