Título: Orsini perde mercado para concorrentes espanhóis
Autor: Raquel Landim
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2005, Especial, p. A12

As dificuldades provocadas pela valorização cambial não atingem apenas as pequenas companhias. Dependendo do ramo em que atuam, empresas tradicionais, com participação expressiva de mercado, também acabam desistindo de exportar. A Orsini Industrial, com sede em Valinhos (SP), é o maior fabricantes de pentes para teares da América Latina e completa 80 anos em 2005. Segundo seu diretor, Silvio Orsini, a companhia deixou de ser competitiva no mercado externo quando o dólar atingiu o patamar de R$ 2,40. "A partir daí, perdemos mercado para os espanhóis", explica o empresário, citando seus principais concorrentes no mercado internacional. Ele conta que as exportações da empresa vêem diminuindo desde o início do ano e se transformaram apenas em embarques esporádicos, que não devem atingir 5% do faturamento. A Orsini exportava 20% da produção para a América Latina, com destaque para Argentina, Colômbia, Peru e Chile. A empresa reduziu em 15% o volume de produção, trabalha com capacidade ociosa, mas ainda não demitiu funcionários. A Orsini emprega 80 pessoas. O diretor explica que não está conseguindo realocar a produção destinada à exportação para o mercado interno, porque seus clientes também enfrentam dificuldades. "As tecelagens estão parando por causa da concorrência dos produtos chineses", conta o executivo. Os principais clientes da Orsini Industrial estão localizados nas regiões de Americana e Santa Bárbara, tradicionais pólos da indústria têxtil no interior de São Paulo. Segundo Orsini, os varejistas brasileiros estão importando confecções prontas dos chineses, dificultando as vendas dos fabricantes de tecidos. Ele afirma que sua empresa tem planos de voltar a exportar, caso o real sofra uma nova desvalorização. (RL)